A Stellantis quer tornar a Citroën relevante de novo. A aposta é reviver o 2 CV

A companhia confirmou que veremos um novo Citroën 2 CV, e tudo aponta para uma versão elétrica

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ana-serra

Carolina Rodrigues

Redatora
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Os rumores começaram há meses, mas só na manhã do dia 22 de maio a Stellantis confirmou o retorno do Citroën 2 CV. O conglomerado automotivo deu poucos detalhes sobre o lançamento e mencionou apenas outubro de 2026, quando revelará mais informações no Salão do Automóvel de Paris.

A confirmação chega, além disso, um dia depois de a companhia apresentar seus planos de futuro para os próximos anos. Um plano que colocou a Citroën no centro de sua estratégia para a Europa.

A confirmação

Nossos colegas do Motorpasión já apontavam, em janeiro, que a Citroën preparava a volta do Citroën 2 CV. Era uma informação que parecia quase confirmada depois que a Autocar conversou com a equipe de design dos franceses. Agora, foi a própria Stellantis que acabou revelando o projeto.

Em seu comunicado, a Citroën antecipa que só teremos novas notícias em outubro, mas já dá algumas pistas interessantes sobre o que podemos esperar desse novo Citroën 2 CV.

Uma nova categoria

No comunicado de imprensa, a Stellantis afirma que esse novo veículo foi “projetado para enfrentar os desafios da mobilidade elétrica e das novas regulamentações urbanas” e que “contribuirá para o surgimento de uma nova categoria de pequenos veículos elétricos acessíveis, que oferecem maior liberdade de movimento sem abrir mão da personalidade nem do apelo”.

Tudo indica que a Stellantis quer entrar de vez nos chamados E-Car, uma nova categoria que ainda está em processo de definição completa. A intenção dos reguladores europeus é que, no estilo dos kei cars japoneses, estejam disponíveis carros elétricos mais acessíveis. A ideia passa por ter uma categoria intermediária entre o quadriciclo pesado e o automóvel de passeio, limitada a 4,1 metros de comprimento.

Já se falou, por exemplo, em flexibilizar algumas regras, como as exigências atuais em matéria de segurança, ou em dar saída à nova carteira aos 17 anos, proposta para conduzir carros “leves” antes de dar o salto para a atual licença B1, que permite dirigir automóveis de passeio de até 3.500 kg de massa máxima autorizada. Também foi colocada sobre a mesa a possibilidade de a fabricação ter que ser europeia ou, ao menos, contar com uma parte relevante de seus componentes, como as baterias.

Explorando a nostalgia

O Citroën 2 CV é mais uma mostra de como a indústria automobilística parece ter ficado presa à nostalgia, embora a Stellantis tente se desmarcar disso ao afirmar que o novo modelo será “inspirado no espírito do original, e não na nostalgia”.

A verdade é que o carro elétrico trouxe certo sabor de passado como forma de tentar nos convencer a migrar para uma tecnologia que, no aspecto puramente irracional, não é tão atraente quanto o motor a combustão. Os Renault 4 e Renault 5 são bons exemplos, mas também já se colocou sobre a mesa trazer de volta o Opel Manta em formato elétrico, enquanto a Volkswagen readaptou sua mítica Transporter no ID. Buzz.

E faz sentido

É preciso levar em conta que um carro elétrico, especialmente na cidade, tem muitas vantagens em relação a um carro a combustão. Igualando as tecnologias, o elétrico tem consumo de energia menor do que um modelo a combustão em ambiente urbano. Seu custo é muito inferior e o risco de avaria também é menor. E, embora a economia seja sempre um bom incentivo para comprar um carro, também é um argumento de compra menos atraente quando se trata de emocionar o cliente.

Porque, na hora de comprar um carro, o irracional continua pesando muito. Não é por acaso que os anúncios de automóveis seguem apelando às emoções. Nesse ponto, a estética pesa bastante, e uma boa releitura, como as da Renault, pode ser decisiva para atrair o público que hoje tem dinheiro. Ou seja, aqueles que mais podem sentir saudade dos Renault 4, dos Renault 5 ou do Citroën 2 CV.

Os planos da Stellantis

O movimento da Stellantis também se encaixa perfeitamente no que foi anunciado no dia 21 por Antonio Filosa, seu CEO após a saída de Carlos Tavares. O conglomerado automotivo indicou que investirá 60 bilhões de euros até 2030 e apontou para um futuro multipolarizado, no qual a estratégia para os Estados Unidos se separará da europeia.

Isso será feito por meio de uma reorganização de suas 14 marcas. Dodge e Jeep marcarão o ritmo nos Estados Unidos, enquanto na Europa esse papel ficará com Fiat e Peugeot. Essas duas companhias estão claramente segmentadas por preço, e tudo indica que serão as primeiras a lançar modelos ao mercado, para depois levá-los a outras empresas com formatos de carroceria modificados.

Com esses primeiros passos, parece que a Citroën será focada em ser a companhia mais acessível, a porta de entrada do conglomerado, diferenciando-se um pouco da Fiat, que também tem mirado a faixa mais baixa nos últimos anos. O novo veículo também parece permitir que a marca compita a um preço muito mais baixo que o Renault 5 para roubar vendas dele, um urbano elétrico que, ao contrário, se voltou aos detalhes em um carro desenhado com muito cuidado.

Texto traduzido e adaptado do Xataka Espanha.


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