EUA liberam exportação do H200 da Nvidia para a China, mas cresce o temor de que o chip seja usado para fins militares

Pelo menos sete universidades chinesas vinculadas às forças armadas estão tentando obter os chips H200

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Jensen Huang, diretor-geral da Nvidia, foi obrigado a “lutar” com o Departamento de Comércio dos EUA durante meses, mas conseguiu o que pretendia: sua empresa já está autorizada a vender a clientes chineses o chip de inteligência artificial (IA) H200. Alibaba, Tencent, ByteDance e JD.com são quatro das dez empresas chinesas que já têm acesso a essa poderosa GPU.

E elas têm acesso porque o Departamento de Comércio dos EUA, instituição responsável por conceder ou negar licenças de exportação, autorizou pelo menos dez empresas chinesas e vários distribuidores, entre eles Lenovo e Foxconn, a adquirir o segundo chip para IA mais potente da Nvidia. Essa decisão foi tomada quase dois meses depois de o governo dos EUA confirmar que permitiria à empresa liderada por Jensen Huang fornecer o chip H200 a seus clientes chineses.

No entanto, é provável que a Nvidia não tenha tempo de saborear essa vitória. Novamente, nuvens ameaçadoras surgem no horizonte e podem comprometer mais uma vez seus negócios na China. Isso porque, segundo a Bloomberg, pelo menos sete universidades chinesas ligadas às forças armadas e à indústria de defesa do país estão tentando obter os chips H200. Essa revelação vem dos registros de contratação pública da China, portanto é presumivelmente confiável.

O aluguel remoto: a via que o Departamento de Comércio ainda não sabe como fechar

Nos EUA, há um grupo de pressão que se opõe à venda de chips avançados de IA para a China. Chris McGuire, pesquisador sênior sobre China e tecnologias emergentes do Conselho de Relações Exteriores, afirma que “qualquer acordo que permita à Nvidia vender mais chips para a China resulta em menos chips da Nvidia para as empresas dos EUA e em uma vantagem menor dos EUA sobre a China em IA”. Além disso, McGuire argumenta que “é surpreendente que o presidente Trump continue se deixando convencer a priorizar os interesses da Nvidia em vez dos interesses da América”.

O que está acontecendo agora mesmo com as universidades chinesas é o cenário ideal para reforçar as teses desse grupo de pressão nos EUA. Duas das instituições que demonstraram interesse nos chips H200, a Universidade de Beihang e a Universidade Politécnica do Noroeste, fazem parte dos “Sete Filhos da Defesa Nacional” da China, um grupo seleto de universidades dedicado a apoiar o Exército de Libertação Popular.

Ambas foram incluídas na lista negra do Departamento de Comércio dos EUA por sua participação no avanço das capacidades militares chinesas. E registros de contratação pública revelam que a Escola de Ciberciência e Tecnologia da Beihang, que afirma ter “características de defesa nacional e vantagens aeroespaciais”, está tentando alugar o uso dos chips da Nvidia.

A Escola de Segurança do Ciberespaço da Universidade Politécnica do Noroeste também está tentando alugar acesso aos chips H200, segundo esses mesmos registros. As entidades chinesas recorrem cada vez com mais frequência ao aluguel de tempo de uso em servidores equipados com chips restritos da Nvidia como forma de acessar hardware proibido sem precisar importá-lo diretamente. Essa é a estratégia que, com toda certeza, o governo dos EUA vai tentar desmantelar. O que ainda não está claro é como fará isso.

Imagem | Nvidia

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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