A Europa almeja que 2035 seja o ano do fim prático dos carros novos a gasolina e diesel. O velho continente não está sozinho: Japão e Califórnia compartilham esse objetivo. Mas, de acordo com os resultados de um estudo, milhões de cidadãos só sentirão o impacto dos carros elétricos em meados do século.
Segundo um estudo da S&P Global, os proprietários de carros com motor a combustão tendem a mantê-los por mais tempo, ao contrário dos proprietários de carros elétricos, apesar do custo geralmente mais elevado.
Proprietários de carros elétricos trocam de veículo a cada quatro anos, em média
A União Europeia pretende reduzir as emissões de CO₂ de carros novos em 90% até 2035, promovendo os carros elétricos, mas deixando espaço para híbridos, veículos com extensor de autonomia e modelos com motor a combustão associados a combustíveis sintéticos, biocombustíveis ou compensações industriais.
O Reino Unido fará o mesmo em 2030, o Japão em 2035, assim como a Califórnia, o principal mercado dentro dos Estados Unidos. O problema é que levará várias décadas para que se observe o impacto realmente significativo dessa medida, pois, em ambos os lados do Atlântico, a idade média dos veículos está se aproximando de 13 anos.
A S&P Global, uma consultoria especializada em análise econômica (responsável pela criação do índice S&P 500, por exemplo), estudou por quanto tempo os proprietários de veículos mantêm seus carros. O estudo revela disparidades significativas entre carros com motores de combustão interna e veículos elétricos, devido a uma série de fatores identificáveis.
Realizado nos Estados Unidos, o estudo revela que os motoristas estão mantendo seus veículos por mais tempo do que nunca, uma tendência particularmente acentuada no caso de modelos com motor de combustão interna. Em média, um veículo é mantido por 12,5 anos, número que sobe para 13,6 anos para carros de passeio.
Na Espanha, a idade média dos veículos é de 14,2 anos, segundo dados da Associação Espanhola de Fabricantes de Automóveis e Caminhões (ANFAC). A Espanha continua a ter uma das frotas de veículos mais antigas da Europa, ultrapassando a média de idade do continente, de 12,3 anos.
Diversos fatores explicam a maior vida útil dos carros a gasolina e a diesel. Um deles é a confiabilidade percebida desses modelos para viagens longas. Muitas famílias mantêm pelo menos um carro com motor a combustão, mesmo que seja usado com menos frequência, para garantir autonomia ilimitada, especialmente em viagens longas.
A inflação, que naturalmente afeta tanto os modelos com motor a combustão quanto os elétricos, também desempenha um papel importante. Por exemplo, na Espanha, entre 2020 e 2023, a inflação foi de 15,2%. Assim, um carro que custava € 25 mil (cerca de R$ 144.660) em 2020 custava quase € 29 mil (cerca de R$ 167.806) três anos depois.
Em contrapartida, os carros elétricos geralmente são substituídos mais rapidamente. A S&P Global estima que sejam substituídos a cada 3,6 anos.
Essa renovação frequente se explica, em particular, pelo maior custo de aquisição, que atrai clientes com maior poder aquisitivo, dispostos a trocar de modelo regularmente e que optam principalmente por leasing (aluguel com opção de compra) ou renting (aluguel de longo prazo), com duração média de contrato de quatro anos.
Em 2024, quase 80% dos carros elétricos novos registrados nos Estados Unidos foram adquiridos por meio de uma dessas duas opções de aluguel, segundo dados da Edmunds citados pelo The Wall Street Journal. A situação é semelhante na Europa, embora varie consideravelmente de um país para outro dentro da União Europeia.
Sessenta por cento dos registros de carros novos, independentemente da fonte de energia, são feitos por meio de contratos de aluguel ou leasing, de acordo com cálculos do grupo de lobby Transport & Environment, com base em dados da Dataforce. No caso dos carros elétricos, a proporção é estimada em 80%.
A maior proporção de leasing no mercado de carros elétricos também se explica pelo receio de possuir um carro com bateria de tração que possa perder autonomia com o tempo ou até mesmo apresentar defeito. E como o custo de substituição deste tipo de bateria é exorbitante, variando de 7 mil a 15 mil euros (entre R$ 40.504 e R$ 86.796), dependendo da marca, os clientes preferem transferir esse risco para uma empresa de leasing.
É claro que isso impacta o mercado de carros usados quando esses veículos elétricos de empresas de leasing chegam ao mercado de segunda mão. O estudo mais recente da iSeeCars mostra que os preços de carros elétricos usados caíram 15,1% no ano passado nos Estados Unidos. Na Europa, o preço médio de carros elétricos usados caiu expressivos 8,1% em relação ao ano anterior, segundo dados da plataforma Autoscout24.
Por fim, vale ressaltar que o mercado de veículos elétricos está passando por uma grande transformação. A cada ano, novos modelos, mais eficientes e inovadores, chegam ao mercado, incentivando os motoristas a fazer a transição. Marcas como Tesla e BYD contribuem para essa mudança. Uma vez convertidos à mobilidade elétrica, a grande maioria dos motoristas permanece fiel a esse tipo de veículo.
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