Algo está acontecendo no movimento cyberdeck: cada vez mais mulheres estão assumindo o controle por dentro

Antes, cyberdecks tinham designs futuristas cyberpunk; agora, são cobertos de glitter

É uma resposta à homogeneização da tecnologia

Imagem | Xataka
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PH Mota

Redator
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PH Mota

Redator

Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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A tecnologia prometia ser a cola que nos conectaria a tudo e a todos. A realidade é que cada vez mais pessoas sentem que a tecnologia as deixa cada vez mais isoladas, presas em um ciclo infinito de notícias negativas geradas por algoritmos. Além disso, os dispositivos são monótonos, cinzentos e impessoais. Nesse contexto, está surgindo uma cena criativa entre mulheres que constroem seus próprios dispositivos personalizados, com designs que certamente chamam a atenção.

O que é um cyberdeck?

O conceito foi cunhado por William Gibson em seu romance "Neuromancer". Essa ideia acabou se tornando um movimento maker, com usuários criando mini laptops a partir de peças sobressalentes, como telas, teclados de outros dispositivos e, geralmente, usando um Raspberry Pi como cérebro. Esses dispositivos não se conectam à internet e são normalmente projetados para hacking ou programação. Tradicionalmente, eram construídos por homens, e a estética era mais futurista, com um estilo cyberpunk ou tático.

Cyberdecks femininos

Recentemente, uma nova tendência surgiu no mundo dos cyberdecks, onde as mulheres são as protagonistas, imbuindo-os com um estilo hiperfeminino por meio de designs atraentes. A tendência foi popularizada pela TikToker e YouTuber UbeBoobey, que criou seu cyberdeck no estilo "sereia", construído dentro de uma bolsa em formato de concha e decorado com pérolas, cristais, musgo e até maquiagem.

Desde que ela publicou seu vídeo em março deste ano, muitos outros criadores aderiram à onda dos cyberdecks hiperfemininos em recipientes inusitados, como estojos de Polly Pocket, caixas de joias, caixas de anéis e até brinquedos da Hello Kitty.

Funções limitadas

Como mencionado, um cyberdeck não foi projetado para se conectar à internet, portanto, suas funcionalidades são limitadas. UbeBoobey carregou filmes, músicas, livros, fotos e até artigos da Wikipédia em seu cyberdeck, tudo para evitar depender tanto do acesso à internet. Ela também instalou o jogo Doom e pode jogar com um mouse personalizado. Em entrevista à Wired, a criadora admitiu: "Sou hipócrita, porque uso meu celular todos os dias. Eu não preferiria meu cyberdeck ao meu celular."

Alegria de construir

Mas este movimento não se trata de substituir completamente seu laptop ou smartphone; trata-se de construir algo com suas próprias mãos e imprimir sua personalidade no design. Além disso, a criadora afirma que é uma forma de aprender os detalhes de como a tecnologia atual funciona. "Estamos muito desconectados do processo de fabricação, da origem e do funcionamento interno de tudo o que usamos e com o qual interagimos diariamente. Os cyberdecks são um excelente ponto de partida para se familiarizar um pouco mais com a tecnologia", disse ela à Wired.

Rejeição

Algumas pessoas constroem cyberdecks há anos, mas essa nova tendência está surgindo em um momento de crescente ressentimento em relação às grandes empresas de tecnologia, alimentado pela ascensão das ferramentas de IA e uma clara homogeneização da tecnologia, com dispositivos cada vez mais minimalistas que oferecem pouca personalização. Nesse contexto, construir um cyberdeck é uma resposta a esse desconforto, uma forma de retomar o controle sobre a tecnologia com dispositivos abertos, reparáveis ​​e personalizados.

Nostalgia retrô

Essa é uma tendência que discutimos anteriormente em relação ao renascimento das câmeras digitais. A Geração Z está se apaixonando por tecnologias de décadas atrás, como as primeiras câmeras digitais, fones de ouvido com fio, consoles retrô e tocadores de música. Os jovens encontram charme nas imperfeições dessas tecnologias, como fotos menos nítidas ou um som menos cristalino de um tocador. Em meio à onda da inteligência artificial generativa, esses tipos de dispositivos são percebidos como mais humanos e autênticos. Além disso, é uma forma de reutilizar uma tecnologia praticamente esquecida, em contraposição à ideia de atualizações constantes para acompanhar as últimas tendências.

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