Viabilidade comercial do carro elétrico já pareceu sonho distante: este gráfico ilustra porque não é mais

Ascensão dos carros elétricos e das energias renováveis ​​não seria possível sem baterias de lítio: gráfico mostra queda drástica de preço

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PH Mota

Redator
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PH Mota

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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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O mundo está imerso há anos em duas transições essenciais para deixar os combustíveis fósseis para trás: a transição energética e a transição da mobilidade.

Mas para que ambas sejam possíveis, é fundamental que uma tecnologia continue a evoluir e a ter seu preço reduzido: a tecnologia de baterias, um dos principais componentes dos carros elétricos e responsável por armazenar o excedente de energia durante períodos de alta produção, como, por exemplo, em energia eólica e solar. E aconteceu: nos últimos 35 anos, o preço das baterias de lítio despencou 99%.

Em 1991, uma bateria de íon-lítio custava US$ 9.210 por kWh. Em 2023, o mesmo quilowatt-hora custava US$ 111: estamos falando de uma queda de quase 99% em praticamente três décadas.

Para tornar isso tangível, Hannah Ritchie e Pablo Rosado, do Our World in Data, oferecem um exemplo aplicado a baterias de carros: a bateria de um carro elétrico padrão atual, com autonomia de 350 a 400 quilômetros, custa hoje cerca de US$ 5 mil. Há uma década, o mesmo componente custaria mais de US$ 20 mil; e em 1991, quase US$ 600 mil. Existe um limite estratégico que ultrapassamos recentemente: US$ 100/hWh, historicamente considerado o ponto de paridade econômica com os veículos com motor de combustão interna. No entanto, no final de 2025, já tínhamos ultrapassado essa barreira, atingindo US$ 84/kWh.

Os gráficos são do Our World in Data, um projeto do Global Change Data Lab, afiliado à Universidade de Oxford. A fonte primária é uma série de dados atualizada por Rupert Way, baseada no trabalho original de Ziegler e Trancik e complementada com dados da BloombergNEF e da Avicenne Energy. Todos os dados estão expressos em valor de dólares, em 2024.

Preço das baterias de lítio caiu 99% em 35 anos

O primeiro gráfico mostra a evolução do preço das células de íon-lítio entre 1991 e 2024, em dólares por kWh. A linha desce de forma constante e acentuada ao longo dos anos, sem qualquer sinal de estabilização, estabilizando-se finalmente em torno de US$ 50-60/kWh em 2024.

Evolução do preço das baterias de íon-lítio: 1991 - 2024 | Our World in data Evolução do preço das baterias de íon-lítio: 1991 - 2024 | Our World in data

O segundo gráfico combina o preço com a produção global acumulada e utiliza uma escala logarítmica dupla: começa com uma capacidade instalada de 130 kWh em 1991 e atinge 3.510 GWh em 2023. O fato de a linha permanecer reta por mais de três décadas, em dois gráficos diferentes e com dados de fontes distintas, confirma que a queda de preço não é uma coincidência nem uma flutuação. Trata-se de um padrão matemático estável que nos permite projetar para onde os preços irão. Essa tendência é mais importante do que a própria queda.

A cada vez que a produção global acumulada dobra, o preço das baterias cai 19% | Our World in data A cada vez que a produção global acumulada dobra, o preço das baterias cai 19% | Our World in data

O segundo gráfico mostra que, a cada vez que a produção global acumulada de baterias de íon-lítio dobra, o preço cai 19%. Essa é a taxa de aprendizado conhecida como Lei de Wright. A curva de aprendizado permanece estável por mais de trinta anos, independentemente de crises financeiras, problemas de abastecimento e até mesmo uma pandemia. Por trás desse gráfico está o enorme salto de 130 kWh instalados em 1991 para 3.510 GWh em 2023. Isso representa 27 milhões de vezes mais capacidade em três décadas, e cada duplicação ao longo do caminho levou a uma redução de 19% no preço. No ritmo atual de instalação, essas duplicações de capacidade estão acontecendo em períodos cada vez mais curtos, o que significa que a curva não vai desacelerar devido à inércia.

Esses gráficos não descrevem o passado; eles projetam o futuro. Uma taxa de aprendizado estável de 19% por duplicação de capacidade é uma ferramenta de planejamento: ela ajuda a indústria e seus stakeholders a estimar com segurança quando o armazenamento atingirá os limites de custo que tornam viável uma rede elétrica com alta penetração de energias renováveis. Segundo a IRENA, o custo da energia solar caiu 90% entre 2010 e 2023, seguindo a mesma lógica.

O fato de o limite ter caído para menos de US$ 100/kWh já tem consequências: a Comissão Europeia estima que a UE precisará de entre 200 e 600 GWh de armazenamento até 2030, e essa trajetória é justamente o que torna viável projetos de transição energética.

No entanto, é importante notar que os gráficos mostram o preço médio das células para diferentes tipos de baterias de íon-lítio, que possuem perfis de custo, ciclos de vida e densidade de energia muito distintos. Isso não é mostrado no gráfico. Tampouco é mostrado que o custo da bateria não é tudo, pois inclui custos associados, como instalação e substituição. Além disso, o gráfico não aborda os riscos estruturais da cadeia de suprimentos: lítio, cobalto e níquel são geograficamente concentrados e vulneráveis ​​a tensões geopolíticas, como alerta a Agência Internacional de Energia. Embora estejam se tornando cada vez mais baratos, seu peso e volume continuam sendo uma desvantagem em algumas aplicações, como aviação e caminhões pesados.

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