Um caso de homicídio ocorrido há mais de três décadas nos Estados Unidos ganhou novos desdobramentos após a descoberta de um tijolo enterrado na lama no fundo de um lago. Entretanto, o que chama a atenção no caso é quem encontrou a evidência: uma lontra treinada para operações de busca e resgate.
O objeto foi encontrado por Splash, uma lontra de dois anos, durante uma operação de busca subaquática e então, associado aos ferimentos da vítima.
Splash atua ao lado do treinador Michael Hadsell em missões envolvendo localização de evidências submersas, incluindo restos mortais humanos. Segundo informações publicadas pela Discover Magazine, a lontra integra a equipe da Peace River K-9 Search and Rescue Team, organização sem fins lucrativos especializada em localizar pessoas desaparecidas.
Como surgiu a ideia de usar uma lontra em buscas
Hadsell trabalha há mais de quatro décadas com cães farejadores e decidiu adaptar técnicas de detecção de odores ao ambiente aquático. De acordo com ele, a ideia para os treinamentos com Splash surgiu depois de descobrir que lontras eram usadas em atividades de pesca.
“Li um artigo sobre como as lontras usam o paladar e o olfato para caçar debaixo d'água. Uma ideia se acendeu na minha cabeça e comecei a pesquisar sobre isso”, disse à Discover Magazine.
Splash vive com seu treinador Michael. Foto: Reprodução/Instagram
Como funciona o treinamento de Splash
O treinamento da lontra foi desenvolvido para lidar com um problema específico das buscas submersas: a forma como odores se comportam na água.
Segundo a American Animal Hospital Association, correntes aquáticas podem dispersar partículas químicas e dificultar a identificação da origem de um cheiro em rios e lagos.
Para isso, Splash foi treinado utilizando exercícios de associação. Hadsell colocava bolas na água, mas apenas uma continha um odor específico. Quando a lontra identificava corretamente o item, recebia recompensas.
As buscas também se baseiam em características naturais da espécie: as lontras utilizam vibrissas — seus bigodes extremamente sensíveis — para detectar movimentos e alterações na água. Segundo Hadsell, essas estruturas funcionam quase como um sistema de sonar biológico durante as operações.
Como a lontra sinaliza uma descoberta
Durante as buscas, Splash demonstra mudanças claras de comportamento quando detecta algo relevante. O treinador explica:
“Se ele sair da costa ou do barco, retorna, faz círculos descontrolados e emite um guincho, avisando que preciso ir com ele. Se eu estiver com equipamento de mergulho, ele volta e começa a tentar pegar minha máscara.”
Trabalho conjunto com cães farejadores
Apesar das missões feitas por Splash chamarem a atenção, a lontra não trabalha sozinha: as operações são feitas em conjunto com cães farejadores.
Os cães atuam inicialmente na superfície, identificando possíveis áreas de interesse. Depois disso, a lontra entra na água para restringir a área de busca e localizar evidências submersas.
De acordo com a Discover Magazine, Splash já participou de mais de 30 missões aquáticas e realizou múltiplas descobertas durante as operações.
A rotina fora das missões
Fora do trabalho, Splash vive com seu treinador Hadsell desde filhote. Segundo ele, a lontra circula livremente pela casa e convive diariamente com os cães da equipe de resgate.
“O Splash mora conosco e tem livre acesso a tudo. Ele acorda ao nascer do sol e vai dormir comigo ao pôr do sol. Ele se dá muito bem com os outros cachorros”
Foto de capa: Reprodução/Instagram
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