Nem humanos exaustos, nem monges tradicionais: a Coreia do Sul acaba de colocar a inteligência artificial para rezar e meditar em uma cerimônia budista e esse foi o resultado

Cerimônia com robô budista mostra que a Coreia do Sul está tentando aproximar religião e inteligência artificial às novas gerações

Robo Humanoide Na Coreia Do Sul
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Os robôs estão dominando o mundo? Bem, talvez ainda não. Mas eles definitivamente começaram a ocupar espaços cada vez mais improváveis, inclusive dentro de religiões. Na Coreia do Sul, um robô humanoide chamado Gabi participou oficialmente de uma cerimônia budista realizada no templo Jogye, em Seul, tornando-se o primeiro robô do país a receber simbolicamente os votos de monge budista. 

Vestido com roupas tradicionais, o robô realizou reverências, repetiu ensinamentos e declarou devoção ao Buda diante de líderes religiosos. O evento aconteceu às vésperas das celebrações do aniversário de Buda e chamou atenção no mundo todo por unir espiritualidade, inteligência artificial e um debate inevitável sobre o impacto da tecnologia na religião.

Vestido como monge e programado para reverenciar: saiba quem é Gabi, o robô budista da Coreia do Sul

Um robô reverenciando uma figura religiosa pode parecer até uma cena saída direto de um episódio de ficção científica, mas aconteceu na vida real. Com cerca de 1,30 metro de altura, o humanoide Gabi apareceu diante de monges no principal templo da Ordem Jogye, a maior corrente do budismo sul-coreano, participando de uma cerimônia tradicional adaptada para um robô. Durante o ritual, o robô:

  • Juntou as mãos em sinal de reverência;
  • Fez movimentos de inclinação típicos do budismo;
  • Repetiu declarações de devoção ao Buda;
  • Recebeu um nome budista simbólico;
  • Participou de uma versão adaptada dos “cinco preceitos” budistas.

Mas o detalhe mais curioso está justamente nesses preceitos. Como Gabi não é humano, algumas regras precisaram ser reformuladas especificamente para ele. Entre as orientações estavam:

  • Não causar danos a humanos, robôs ou objetos;
  • Utilizar tecnologia de forma responsável;
  • Evitar comportamentos enganosos;
  • Preservar energia sem sobrecarregar a bateria.

Como consequência, a cerimônia reuniu elementos do budismo tradicional com recursos adaptados da tecnologia moderna, o que dificilmente passaria despercebido em um dos países mais conectados do mundo. Veja a seguir um vídeo da cerimônia:

A cerimônia mostra como a Coreia do Sul quer aproximar tradição e tecnologia

Apesar do impacto e estranhamento que a cena provocou em algumas pessoas, o objetivo da cerimônia não era substituir monges humanos por máquinas. Segundo os líderes da Ordem Jogye, a iniciativa tinha como propósito aproximar o budismo das novas gerações, especialmente em um contexto em que inteligência artificial, robótica e automação já fazem parte do dia a dia dos sul-coreanos. Ou seja, a ideia é mostrar que a religião pode dialogar com a tecnologia em vez de rejeitá-la.

E apesar de estranho para muita gente, a cerimônia faz total sentido dentro da lógica do país. A Coreia do Sul é uma das sociedades mais conectadas do mundo, com forte presença de IA em áreas como educação, atendimento, segurança e entretenimento. Então, manter as tradições religiosas completamente isoladas do avanço tecnológico pode significar perder relevância entre os jovens.

Por isso, Gabi acabou se tornando muito mais do que apenas um “robô religioso”. Ele virou símbolo de uma tentativa de modernizar a imagem do budismo, mas sem abandonar seus valores centrais. Mas a mensagem que fica é: será que as religiões precisarão aprender a coexistir com inteligências artificiais para continuarem fazendo sentido em um mundo cada vez mais tecnológico?

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