Os Estados Unidos vêm se aproximando há algum tempo em termos de carregadores de alta potência para veículos elétricos, muitos deles capazes de fornecer 500 kW, 600 kW e até mesmo um megawatt. O problema é que, atualmente, quase nenhum carro elétrico vendido lá consegue lidar com esse tipo de potência.
Na Europa, por outro lado, começamos a ver carros que aproveitam essa capacidade. E embora ainda seja algo simbólico por enquanto, para que as promessas dos veículos elétricos se concretizem, a infraestrutura precisa acompanhar a inovação desses carros.
Por que isso importa?
O carregamento tem sido o maior obstáculo, durante anos, para a ampla aceitação dos carros elétricos. A promessa de carregar tão rápido quanto abastecer um tanque de gasolina existe há algum tempo, e agora a tecnologia está começando a acompanhar. Mas um carregador de um megawatt é de pouca utilidade se o carro que você conecta aceita apenas uma fração dessa potência.
Mais carregamento rápido nos EUA
Segundo o InsideEVs, a ChargePoint apresentou no mês passado uma estação de carregamento de 600 kW, que descreveu como "o carregador independente para veículos elétricos mais rápido do mundo", enquanto a empresa suíça ABB anunciou unidades de 1,2 MW e a Kempower exibiu um carregador com conector MCS capaz de fornecer 1,2 MW.
A empresa italiana Alpitronic, por sua vez, está preparando carregadores que fornecem até 1.000 kW para caminhões e 600 kW para carros de passeio, que começarão a chegar aos Estados Unidos no início do próximo ano. Até mesmo a Tesla, historicamente limitada a 250 ou 325 kW, está gradualmente implantando seus Superchargers V4 de 500 kW.
Poucos estão aproveitando essa capacidade
Como aponta a mesma fonte, atualmente não há carros de passeio elétricos à venda nos Estados Unidos que aceitem mais de 500 kW. O Tesla Cybertruck foi visto carregando a 500 kW, mas suas especificações oficiais ainda listam um máximo de 325 kW. Os modelos mais potentes do mercado, ou aqueles prestes a chegar, como o Lucid Gravity, o Porsche Cayenne Electric e o BMW iX3, têm potência máxima de 400 kW.
O motivo de tanta pressa?
Loren McDonald, CEO e analista-chefe da Chargeonomics, explica ao InsideEVs que alguns dos carros chineses de alta potência podem chegar aos Estados Unidos nos próximos cinco anos, então esses carregadores "protegem" a infraestrutura para quando isso acontecer.
A ideia, além disso, é distribuir a carga de forma inteligente entre vários pontos de recarga, de acordo com a capacidade de absorção de cada carro, para que um modelo básico e um de luxo possam ser conectados simultaneamente sem desperdício de energia.
Quem está realmente na frente?
China e Europa estão ditando o ritmo nessa área, com sistemas como as estações "Flash" de 1,5 megawatt da BYD. Mais na China do que na Europa, a diferença reside não tanto na potência bruta dos pontos de carregamento, mas sim no facto de os fabricantes estarem a lançar veículos concebidos para tirar partido deles.
Na Europa, também temos um longo caminho a percorrer para aproveitar plenamente estas capacidades nos veículos comerciais, mas, pouco a pouco, vemos mais marcas a quererem aderir.
E qual é a situação em Espanha?
O mais recente Barómetro da Eletromobilidade da ANFAC, referente ao primeiro trimestre de 2026, deixa claro que, por aqui, a prioridade continua a ser o básico: ter pontos de carregamento suficientes e garantir que funcionam.
A Espanha terminou março com 55.077 pontos de carregamento de acesso público, tendo adicionado 2.005 durante o trimestre, uma taxa de crescimento que o próprio relatório descreve como inferior à registada nos mesmos períodos dos três anos anteriores.
O problema da qualidade
Para além do número total, os dados da ANFAC apontam para duas fragilidades. O primeiro problema é a potência: apenas 31% da infraestrutura ultrapassa os 22 kW, muito aquém da meta de 55% estabelecida pela associação para 2026. Os restantes 69% são pontos de carregamento de baixa potência, que exigem tempos de carregamento de pelo menos três horas.
O segundo problema é a fiabilidade: a ANFAC estima que 17.073 pontos de carregamento estão fora de serviço (24% do total instalado) devido a avarias, mau estado de conservação ou falta de ligação à rede elétrica. Se todos estivessem operacionais, Espanha teria quase 72.150 pontos de carregamento.
O carregamento de alta potência continua a ser mínimo
Os carregadores de 250 kW ou mais, aqueles que permitem realmente o carregamento em minutos, somam apenas 2.469 unidades em toda a Espanha. Este número aumentou em 309 durante o trimestre, e o relatório indica que cerca de 75% dos pontos de carregamento de alta potência são projetos realizados pelos próprios fabricantes de automóveis.
O maior obstáculo, segundo a associação, continua a ser administrativo, uma vez que as dificuldades de processamento e, sobretudo, o acesso à rede de distribuição de eletricidade mantêm muitos projetos paralisados.
Imagem de capa | myenergi
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