A revolta silenciosa contra o abandono do governo faz um homem usar as próprias mãos para pintar quadras vazias e cria um projeto de esporte que já ressuscitou mais de 100 espaços dos Estados Unidos ao Japão

Projeto nasceu para recuperar quadras de basquete esquecidas e hoje usa a arte para revitalizar comunidades em diferentes países

Project Backboard
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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Antes de se tornar uma galeria de arte a céu aberto, muitas quadras de basquete tinham algo em comum: o abandono. Rachaduras, tinta desgastada e falta de manutenção transformavam esses espaços públicos em áreas pouco utilizadas. Para mudar essa realidade,  foi criado, em 2015, o Project Backboard, iniciativa criada pelo americano Daniel Peterson para preservar o esporte e a arte, mobilizando a comunidade na recuperação das quadras esquecidas. Desde o lançamento, o projeto já conseguiu restaurar mais de 100 espaços em mais de 25 estados dos Estados Unidos e em países como Japão, Canadá, México, Portugal e Porto Rico.

Projeto transformou quadras em obras de arte

Daniel Peterson

Imagine a dor de quem ama o basquete ao encontrar quadras destinadas ao esporte completamente abandonadas, tomadas por rachaduras, tinta desgastada e mato. Essa cena que incomoda tantas pessoas também incomodou Daniel Peterson, um ex-jogador universitário de basquete e profissional ligado a investimentos comunitários do Memphis Grizzlies. Ao invés de esperar que o poder público recuperasse esses espaços, ele resolveu colocar a mão na massa, mas o que começou com a simples pintura das linhas das quadras, acabou dando origem a um projeto gigantesco que hoje transforma esses espaços esquecidos em obras de arte espalhadas pelos Estados Unidos e outros países.

No início, Daniel pintava manualmente as marcações das quadras para que elas pudessem voltar a receber partidas. Mas, conforme conhecia outros parques abandonados, percebeu que recuperar só a parte funcional não era suficiente para atrair novamente a comunidade. Foi aí então que decidiu unir o esporte e a arte em um lugar só: em parceria com artistas locais, as quadras passaram a receber pinturas gigantescas feitas diretamente sobre o piso, transformando aqueles espaços degradados em obras de arte urbana.

Daniel Peterson

A iniciativa deu origem ao Project Backboard, uma organização sem fins lucrativos que tem como missão restaurar quadras públicas de basquete e instalar obras de arte exclusivas em cada local. Desde o lançamento, o projeto já recuperou mais de 100 quadras e viabilizou mais de US$4 milhões em investimentos destinados a parques públicos, além de reunir artistas renomados, como Nina Chanel Abney, Faith Ringgold, Joana Vasconcelos, Nari Ward e até obras inspiradas no legado de Andy Warhol.

Muito além do esporte: quadras revitalizadas fortalecem comunidades e aproximam pessoas da arte

Daniel Peterson

Embora o basquete seja o ponto principal, Daniel sempre defendeu que o verdadeiro objetivo do projeto é transformar a relação das pessoas com os espaços públicos. As intervenções acontecem principalmente em bairros que sofrem com anos de abandono e falta de investimentos. Um dos exemplos é o Kinloch, no estado do Missouri, comunidade que já sofreu grandes desafios econômicos enfrentados. Lá, o artista William LaChance transformou três quadras deterioradas em uma enorme pintura abstrata com mais de 50 metros de extensão, uma das maiores já produzidas pelo projeto.

Segundo o idealizador do projeto, recuperar as quadras para atrair jogadores a praticarem o  esporte é apenas parte do trabalho. A arte funciona como um elemento que desperta curiosidade, orgulho e pertencimento, incentivando moradores de diferentes idades a voltarem a frequentar o parque. Essa união também fortalece o senso de comunidade, já que, durante as reformas, os voluntários costumam participar da pintura e da revitalização das quadras, criando um vínculo que ajuda na conservação dos espaços depois da inauguração.


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