Volkswagen colocou rebanho de ovelhas para pastar sob painéis solares e descobriu que isso estava mudando a forma como a energia é produzida

Fábrica comprometida com eletrificação encontrou solução em prática pecuária ancestral

Imagem | Rafal Pijanski
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PH Mota

Redator
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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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Durante anos, a indústria assumiu que cada novo problema exigia uma solução mais sofisticada. A Volkswagen acaba de demonstrar que nem sempre é esse o caso. Depois de instalar milhares de painéis solares para abastecer uma de suas fábricas, descobriu que a melhor manutenção possível não era feita por um robô ou uma máquina especializada, mas por um rebanho de ovelhas.

O problema não eram os painéis, mas o que estava embaixo deles

Parques fotovoltaicos compartilham um desafio tão simples quanto constante: a vegetação continua crescendo. Em instalações industriais com dezenas de milhares de painéis, manter o solo limpo envolve a instalação de máquinas entre as estruturas metálicas, a fiação e os equipamentos elétricos, com os consequentes custos econômicos, energéticos e de manutenção.

Na fábrica da Volkswagen em Poznań, na Polônia, onde um parque solar com 31 mil painéis consegue suprir toda a demanda energética da fábrica em dias de pico de luz solar e fornece cerca de 25% do seu consumo anual, esse desafio tornou-se parte das operações diárias.

Solução antiga

Em vez de buscar uma máquina mais eficiente, a Volkswagen recorreu a uma tecnologia muito mais antiga: cem ovelhas. Os animais substituem os cortadores de grama, eliminando a necessidade de corte mecânico, já que pastam tranquilamente sob os painéis.

O interessante é que a solução não só é eficaz para manter a grama sob controle, como também evita a passagem constante de veículos pela infraestrutura, reduz as emissões e simplifica a manutenção de uma instalação energética de última geração.

Benefício adicional das ovelhas

O projeto faz parte de um modelo conhecido como agrivoltaica, que busca combinar a produção de eletricidade com a atividade agrícola na mesma área. Sob a supervisão de pesquisadores da Universidade de Ciências de Poznań, o rebanho se tornou um verdadeiro laboratório a céu aberto.

Cientistas estão analisando como o pastoreio influencia a biodiversidade, a qualidade do solo, a vegetação, o microclima e o bem-estar animal, enquanto estudam até que ponto a sombra projetada pelos painéis reduz o estresse térmico no gado durante os meses mais quentes.

Natureza se adapta

Os resultados iniciais mostram uma adaptação surpreendentemente rápida. As ovelhas se espalharam naturalmente por toda a instalação, formando pequenos grupos que aproveitam a sombra criada pelos painéis solares.

Esse comportamento, além de indicar que os animais se sentem seguros, ajuda a manter uma cobertura vegetal uniforme e incentiva a presença de insetos e outras espécies, transformando uma simples usina fotovoltaica em um ecossistema muito mais rico do que uma terra convencionalmente roçada.

Agrivoltaica não é novidade

Embora o caso da Volkswagen seja particularmente notável por envolver uma grande instalação industrial, o uso de ovelhas em fazendas solares vem se disseminando há vários anos em países como Reino Unido e Estados Unidos.

A ideia é simples: obter dois rendimentos diferentes na mesma área de terra. Enquanto os painéis solares geram eletricidade, a atividade agrícola ou pecuária mantém a terra produtiva, reduz os custos operacionais e melhora o desempenho ambiental da instalação, sem competir pelo uso da terra.

Inovação nem sempre significa mais tecnologia

O paradoxo do projeto é evidente. Uma fábrica comprometida com a eletrificação, a energia solar e a descarbonização acabou encontrando uma de suas soluções mais eficazes em uma prática de criação de gado com milhares de anos de história.

Em uma era em que a inovação é frequentemente associada à inteligência artificial, à automação ou à robótica, a Volkswagen descobriu que, às vezes, o maior progresso consiste simplesmente em deixar a natureza fazer o trabalho que nenhuma máquina consegue fazer com a mesma eficiência.

Imagem | Rafal Pijanski

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