China constrói a maior ponte da América do Sul no Brasil: um gigante de 12 quilômetros sobre o mar

China está contribuindo com 47% do investimento e com engenharia para ponte que promete eliminar balsas e encurtar rotas de transporte de carga em até 200 quilômetros

Imagem | Governo do Estado da Bahia e Gemini
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PH Mota

Redator
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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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O Brasil iniciou um dos projetos de obras públicas mais ambiciosos das Américas: em 1º de julho, o presidente Lula da Silva lançou oficialmente a construção daquela que será a maior ponte sobre o mar de toda a América Latina. Além dos recordes, ela facilitará a vida de quem viaja pela região da Bahia, pois a infraestrutura economizará duas horas de viagem.

A ponte

Conhecida como Sistema Ponte Salvador-Ilha da Itaparica, esta ponte de quatro faixas e 12,4 quilômetros de extensão ligará a capital da Bahia à região do Baixo Sul, atravessando a Baía de Todos os Santos. O trecho central, com 682 metros de comprimento, será estaiado e se elevará a 85 metros acima do nível do mar, permitindo a passagem de grandes navios sem interromper as operações portuárias.

O sistema não se limita à ponte: inclui 4,4 quilômetros de novas vias de acesso em Salvador, uma via expressa de 22 quilômetros em Itaparica que contornará o centro urbano da ilha e o alargamento de 8 quilômetros da rodovia BA-001 entre Tairu e a Ponte Funil, segundo o projeto oficial do Governo do Estado da Bahia.

Por que é importante?

Autoridades regionais estimam que esta obra de engenharia civil beneficiará aproximadamente 10 milhões de pessoas que vivem nos 250 municípios vizinhos, reduzindo o tempo de deslocamento em duas horas. Também deverá suportar um fluxo de 28 mil veículos por dia.

Diversas figuras políticas da região se manifestaram, explicando sua importância em termos econômicos e logísticos. Assim, Mateus da Cunha Dias, Secretário Extraordinário do Sistema Rodoviário Ocidental, destaca que o projeto poderá gerar um impacto econômico de 40 bilhões de reais (aproximadamente 6,84 bilhões de euros) na região. O governador Jerônimo Rodrigues explica que as mercadorias provenientes do oeste da Bahia terão que percorrer 200 quilômetros a menos. O Presidente do Brasil resume em uma frase: "Emprego, renda, mobilidade, turismo e colaboração com o setor privado, com benefício direto para o povo baiano".

Em números

Este megaprojeto brasileiro apresenta números impressionantes desde o início:

  • 12,4 quilômetros de extensão.
  • Orçamento: R$ 11 bilhões, divididos entre governo federal, governo da Bahia e concessionária chinesa.
  • Duração da construção: cinco anos, com conclusão prevista para junho de 2031.
  • Concessão de pedágio por 35 anos.
  • A construção gerará 7 mil empregos.

Em detalhes

O projeto é uma parceria público-privada que envolve o Governo do Estado da Bahia e a Concessionária Ponte Salvador-Itaparica, de um lado, e dois dos maiores grupos de engenharia chineses do mundo, do outro: a China Communications Construction Company (CCCC) e a China Civil Engineering Construction Corporation (CCECC). O contrato de concessão tem duração de 35 anos: um ano para estudos e obtenção de licenças, cinco anos para construção e 29 anos para a operação do sistema, que será pedagiado para garantir a manutenção e o funcionamento contínuo. A primeira fase já foi concluída e a fase de construção da ponte, com duração de cinco anos, teve início no começo do mês.

Os estudos geotécnicos preliminares incluíram a perfuração de 105 poços ao longo do trajeto da ponte, partindo de águas rasas (com apenas 10 metros de profundidade no município de Veracruz) e estendendo-se até o canal central, onde o fundo atinge 67 metros de profundidade, segundo o Governo do Estado da Bahia. Materiais também foram extraídos de profundidades de até 200 metros, conforme explica o governo regional.

Um porém

As informações fornecidas pelas autoridades e partes interessadas oferecem dados consistentes sobre a escala do projeto e sua operação, mas nenhuma fonte pública detalha, com números concretos, os riscos técnicos de construção e manutenção diante das ondas e da corrosão em um ambiente marinho complexo.

O próprio presidente da concessionária chinesa reconheceu, na cerimônia de lançamento da pedra fundamental, que o projeto enfrenta "desafios de engenharia marítima de classe mundial", citando ondas de médio e longo período e a complexidade geológica do fundo do mar, mas sem apresentar o estudo técnico que sustenta essa avaliação de risco. Por outro lado, também não há dados sobre o valor exato do pedágio que os usuários da infraestrutura pagarão, informação fundamental para avaliar a rentabilidade do projeto.

Imagem | Governo do Estado da Bahia e Gemini

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