Daniel Goleman, psicólogo, sobre os 5 pilares da inteligência emocional: "Perceber o que as pessoas sentem sem que elas o digam constitui a essência da empatia"

Psicólogo Daniel Goleman afirma que a inteligência emocional pode ser desenvolvida ao longo da vida e explica como seus cinco pilares influenciam relacionamentos, trabalho e bem-estar

Daniel Goleman
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Natália P. Martins

Redatora

A inteligência emocional é muito mais do que controlar as próprias emoções. Para o psicólogo e escritor Daniel Goleman, uma das habilidades mais importantes é conseguir compreender o que as outras pessoas sentem, mesmo quando elas não expressam isso em palavras.

Em seu livro Inteligência Emocional, Goleman resume a capacidade empática em uma frase: "Perceber o que as pessoas sentem sem que elas o digam constitui a essência da empatia."

Segundo o autor, essa habilidade faz parte de um conjunto de competências de inteligência emocional que podem ser desenvolvidas ao longo da vida e que influenciam diretamente os relacionamentos, a carreira, a liderança e até o bem-estar emocional.

A empatia vai além de "se colocar no lugar do outro"

Para Daniel Goleman, empatia não significa apenas imaginar como outra pessoa se sente. Ela envolve perceber sinais muitas vezes discretos, como expressões faciais, mudanças no tom de voz, postura corporal e até silêncios.

Segundo o psicólogo, pessoas emocionalmente inteligentes conseguem captar essas informações quase de forma intuitiva, adaptando sua comunicação e suas atitudes ao estado emocional do outro.

Shutterstock 2299114327 Daniel Goleman é escritor, psicólogo e jornalista. Foto: Shutterstock

Os cinco pilares da inteligência emocional

A empatia é apenas um dos componentes da inteligência emocional descritos por Goleman. O psicólogo divide essa competência em cinco pilares que trabalham de forma integrada.

1. Autoconsciência

É a capacidade de reconhecer as próprias emoções e compreender como elas influenciam pensamentos, decisões e comportamentos.

Segundo Goleman, quem desenvolve a autoconsciência consegue identificar seus pontos fortes, limitações e gatilhos emocionais com muito mais clareza.

2. Autogestão

Depois de reconhecer uma emoção, o desafio é administrá-la. A autogestão envolve controlar impulsos, lidar melhor com situações de estresse, adaptar-se às mudanças e tomar decisões sem ser dominado pelas emoções do momento.

3. Motivação

Goleman define a motivação como a capacidade de manter o foco em objetivos de longo prazo, mesmo diante de obstáculos.

Pessoas com alta inteligência emocional tendem a buscar realização pessoal e aprendizado contínuo, em vez de depender apenas de recompensas externas.

4. Empatia

Segundo Goleman, compreender emoções que nem sequer foram verbalizadas permite construir relações mais saudáveis, liderar equipes com mais eficiência e oferecer respostas mais adequadas às necessidades das outras pessoas.

Para ele, essa capacidade não depende apenas da razão, mas também da atenção aos sinais emocionais presentes em qualquer interação humana.

Emaptia Segunfo Daniel Goleman, a empatia é um dos pilares para a inteligência emocional. Foto: Shutterstock

5. Habilidades sociais

O último pilar reúne competências como comunicação, cooperação, negociação, resolução de conflitos e liderança.

Na visão do psicólogo, entender pessoas é importante, mas transformar esse entendimento em boas relações é o que completa a inteligência emocional.

Inteligência emocional pode ser desenvolvida

Uma das principais contribuições de Daniel Goleman foi mostrar que inteligência emocional não é uma característica fixa. Essas habilidades podem ser fortalecidas com prática, reflexão e autoconhecimento.

Segundo Goleman, exercícios de escuta ativa, observação das próprias reações emocionais, desenvolvimento da autoconsciência e práticas como mindfulness são algumas estratégias frequentemente associadas ao fortalecimento da inteligência emocional.

Foto de capa: Wikimedia Commons

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