Medicamentos populares como Ozempic e Wegovy podem retardar o envelhecimento, afirma estudo

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.

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Conhecidos principalmente pelo tratamento do diabetes tipo 2 e pelo auxílio na perda de peso, medicamentos como Ozempic e Wegovy podem oferecer um benefício inesperado: retardar alguns dos processos biológicos associados ao envelhecimento. É o que sugere dois novos estudos conduzidos por pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego e publicados na revista Nature Communications.

Os cientistas ressaltam, no entanto, que os resultados ainda são preliminares e não significam que a semaglutida seja um "remédio contra o envelhecimento". Estudos maiores serão necessários para confirmar os efeitos observados.

Como os estudos foram realizados

A pesquisa analisou dados de um ensaio clínico com 108 adultos vivendo com HIV e com lipohipertrofia associada à doença, uma condição caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura, principalmente na região abdominal.

Metade dos participantes recebeu injeções semanais de semaglutida, princípio ativo presente em medicamentos como Ozempic, Wegovy e Rybelsus. A outra metade recebeu placebo.

Para avaliar possíveis mudanças relacionadas ao envelhecimento, os pesquisadores utilizaram os chamados relógios epigenéticos, ferramentas que estimam a idade biológica por meio da análise da metilação do DNA. Esses marcadores ajudam a indicar se o organismo aparenta estar envelhecendo mais rapidamente ou mais lentamente do que o esperado para a idade cronológica.

Os principais resultados

Em comparação com o grupo que recebeu placebo, os participantes tratados com semaglutida apresentaram sinais de envelhecimento biológico mais lento em diferentes marcadores.

Entre os resultados observados estão:

  • Redução do ritmo de envelhecimento biológico em cerca de 9%, segundo um dos relógios epigenéticos utilizados
  • Melhora em marcadores associados à inflamação e à saúde de órgãos como coração, cérebro, fígado e rins
  • Desaceleração de processos ligados ao risco de doenças relacionadas ao envelhecimento e à mortalidade

Os pesquisadores acreditam que esses efeitos estejam relacionados à capacidade da semaglutida de reduzir a inflamação crônica, melhorar o metabolismo e diminuir a gordura visceral, aquela que se acumula ao redor dos órgãos internos e está associada a diversas doenças.

Além disso, estudos recentes sugerem que os medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1 também podem influenciar diretamente o funcionamento de determinadas células em diferentes tecidos do organismo.

Os resultados podem valer para outras pessoas?

Embora o estudo tenha sido realizado exclusivamente com pessoas vivendo com HIV, os pesquisadores acreditam que os mecanismos analisados também fazem parte do processo de envelhecimento da população em geral.

O segundo estudo piloto citado pela equipe encontrou resultados semelhantes em pacientes com HIV e doença hepática gordurosa. Após 24 semanas de tratamento com semaglutida, parte dos participantes apresentou desaceleração do envelhecimento biológico, redução da gordura no fígado e até aumento do comprimento dos telômeros, estruturas localizadas nas extremidades dos cromossomos que costumam encurtar com o passar da idade.

Apesar do entusiasmo com os resultados, os próprios autores alertam que ainda é cedo para considerar a semaglutida um tratamento para retardar o envelhecimento.

O medicamento pode desacelerar alguns processos biológicos ligados ao envelhecimento, e não é necessariamente capaz de reverter a idade biológica ou prolongar a vida.

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