Com impressionantes 4,2 metros de comprimento e cerca de 750 quilos, o tubarão-branco (Carcharodon carcharias), conhecido como Contender, voltou a aparecer nos mares após meses sem emitir qualquer sinal de monitoramento. O animal foi detectado na última sexta-feira (10), próximo à costa leste dos Estados Unidos, devido a um transmissor via satélite instalado por pesquisadores da organização OCEARCH. Embora o registro tenha durado apenas alguns instantes, ele confirma que o maior tubarão-branco macho já monitorado no Atlântico Norte continua vivo durante sua rota migratória. O caso também expôs uma limitação importante da tecnologia usada para acompanhar esses grandes predadores marinhos.
O maior tubarão-branco macho do Atlântico desapareceu dos radares, mas um breve sinal revelou que ele continua vivo
Depois de meses sem qualquer sinal, Contender finalmente voltou a ser detectado pelos pesquisadores. O tubarão havia desaparecido dos sistemas de monitoramento desde o fim de abril deste ano, quando foi registrado pela última vez próximo à Carolina do Norte. Segundo os cientistas, o reaparecimento aconteceu graças ao "Z-ping", um tipo de transmissão extremamente curta. Isso ocorre quando a barbatana dorsal do tubarão rompe completamente a superfície da água por poucos segundos, permitindo que o transmissor envie um sinal aos satélites.
A grande questão é que esse intervalo costuma ser curto demais para que o sistema Argos consiga calcular a localização exata do animal. Por isso, pouco depois de transmitir os dados, Contender voltou a mergulhar, interrompendo a comunicação. Mesmo sem descobrir a posição precisa do animal, o sinal teve grande importância para os pesquisadores, pois confirmou que ele segue vivo e continua no Atlântico Norte.
Desde que foi marcado pela OCEARCH, em janeiro de 2025, próximo à divisa entre Flórida e Geórgia, o tubarão já nadou por milhares de quilômetros, passando por Carolinas, Nova Jersey, Cape Cod, em Massachusetts, até o Canadá, acompanhando o padrão migratório típico da espécie. Além do transmissor via satélite instalado em sua barbatana dorsal, os pesquisadores também coletaram amostras biológicas do animal, que ajudam a ampliar os estudos sobre a espécie.
Monitoramento ajuda a entender a recuperação da espécie e o aumento de encontros com humanos
O caso de Contender também reforçou a importância do monitoramento científico para compreender o comportamento dos tubarões-brancos e acompanhar a recuperação da população da espécie no Atlântico Norte. Pesquisas recentes indicam que esses animais têm voltado a aparecer com maior frequência em algumas regiões da costa leste dos Estados Unidos.
Segundo a OCEARCH, os cerca de 500 tubarões monitorados pela organização representam apenas uma pequena parte da população existente nos oceanos. Cada novo registro ajuda cientistas a entender padrões migratórios, hábitos de alimentação e áreas de reprodução da espécie. No caso de Contender, a expectativa é que o transmissor continue enviando informações por aproximadamente cinco anos, permitindo acompanhar seus deslocamentos ao longo de diferentes ciclos migratórios.
Ao mesmo tempo, esse aumento também explica por que os encontros entre tubarões e banhistas tendem a se tornar mais frequentes durante o verão no hemisfério norte. Com mais pessoas entrando no mar e uma população crescente de tubarões em determinadas regiões costeiras, cresce também a chance de avistamentos.
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