A China cria uma alternativa inusitada ao Uber: o motorista dirige o seu carro, não o dele

Opção é útil para quem sai de carro e quer beber álcool

Na China, você pode pedir motorista para dirigir seu carro / Imagem: Didi
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Esqueça tudo o que você sabe sobre táxis e motoristas de aplicativo. A novidade na China não é alugar os serviços de um veículo com seu motorista, mas sim alugar apenas o motorista. A alternativa, especialmente para quem volta de uma noite de festa, parece perfeita.

Nesse tipo de serviço, o cliente faz a solicitação através de um aplicativo móvel que o geolocaliza e, após confirmar o pedido, a mágica acontece. Minutos depois chega o motorista solicitado, que se encarregará de levar a pessoa aonde ela quiser, com nosso próprio carro. Esse tipo de aplicativo é conhecido como dàijià (代驾) (“motorista designado”) e está presente no país há anos.

O curioso, além disso, é como esse motorista chega: quando aparece, vem com um patinete elétrico (ou talvez uma bicicleta elétrica compacta), algo que lhe permite se deslocar de um ponto a outro da cidade onde o serviço opera. Ao chegar ao seu veículo, esse motorista designado dobra o patinete e o coloca no porta-malas. Quando chega ao destino e estaciona seu carro, retira o patinete do porta-malas e vai embora com ele.

Se beber, não dirija

As leis chinesas são muito rígidas com motoristas embriagados e, desde 2011, as penalidades são severas caso a polícia detecte algum desses condutores. Como ocorre em países como o Brasil, esses motoristas estão sujeitos a multas, suspensão da carteira de habilitação e até penas de prisão.

Mas, na China, beber é uma prática social especialmente importante, principalmente no mundo dos negócios. Compartilhar uma bebida é uma forma de aumentar a confiança e os laços entre as pessoas. De fato, um brinde tradicional na China, “Ganbei” (干杯), significa “copo vazio” e incentiva todos a terminar suas bebidas, embora também seja aceitável beber apenas um pouco. Terminar a bebida, no entanto, é visto como um sinal de respeito.

Esse conflito entre “ter que beber” e dirigir o próprio carro fez com que esse tipo de serviço dàijià se tornasse uma solução ideal para ambos os lados. Um comunicado recente do Ministério da Segurança Pública indicou que houve uma queda significativa no número de acidentes de trânsito fatais na última década. Li Jiangping, diretor do Escritório de Gestão de Tráfego, explicou que o dado é especialmente positivo considerando que, desde 2011, o número de veículos motorizados aumentou 89% e o de motoristas, 123%.

Segundo o ministério, o número de acidentes com três ou mais vítimas fatais caiu 59,3% desde 2012. No mesmo comunicado, o ministério indicou que um dos fatores dessa redução na sinistralidade está no fato de que “a maioria das pessoas opta por usar serviços de motoristas designados após beber, com o número de solicitações atingindo uma média anual de 200 milhões”.

Dois gigantes competem na China por esse mercado. Por um lado, está a e-Daijia, que abriu caminho em 2011 ao apresentar o serviço a milhões de usuários. Até 2015, sua participação de mercado era de 90%. Em julho daquele ano, a Didi lançou seu próprio serviço, o Didi Daijia, integrado ao seu aplicativo de ride-hailing, criando uma opção a mais para seus milhões de clientes na China. Isso desencadeou uma guerra de preços que acabou beneficiando os usuários e, certamente, esses serviços, que se tornaram uma alternativa singular aos táxis tradicionais.

Imagem | Didi

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.

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