Em 1940, uma criatura apareceu em uma ilha nos Estados Unidos e dizimou tudo: hoje, duas espécies temidas pelos humanos coexistem sozinhas

Em 1940, uma criatura apareceu em uma ilha nos Estados Unidos e dizimou tudo: hoje, duas espécies temidas pelos humanos coexistem sozinhas.
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Fabrício Mainenti

Redator

O que acontece quando duas espécies animais coexistem apenas entre si? ​​Mas, na realidade, não deveriam. É o caso de uma ilha remota dos EUA que, em meados do século XX, sofreu com a chegada de uma criatura inesperada. Como consequência, a fauna local desapareceu.

Como relata a BBC, foi na década de 1940 que uma anomalia ecológica surgiu na ilha de Guam, um dos 14 territórios não incorporados dos Estados Unidos. Lá, desde a chegada de um animal exótico que devorou ​​tudo, o número de aranhas aumentou 40 vezes. O culpado: a cobra-arborícola-marrom.

Em entrevista à emissora, o professor Haldre Rogers, do Departamento de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Virginia Tech, contou que, após 22 anos estudando a ecologia da ilha, descobriu algo incomum. Em 2019, ele notou a presença de um predador inóspito.

A história é a seguinte: do lado de fora de um cercado, Rogers estava assando um porco. Ali, ele viu uma figura marrom e escamosa com tons brilhantes, boca larga e olhos verticais. O animal estava rasgando pedaços do porco para engoli-los inteiros. Era nada menos que uma cobra-arborícola-marrom.

Em 1940, uma criatura apareceu em uma ilha nos Estados Unidos e dizimou tudo: hoje, duas espécies temidas pelos humanos coexistem sozinhas.

Este animal é considerado um dos mais venenosos para humanos e é nativo da Austrália. Segundo a lenda, pode ter chegado a Guam escondida em um navio cargueiro. Desde então, dizimou a fauna local a ponto de eliminar quase todas as aves nativas.

Sem mecanismos de defesa contra esses predadores, as aves da ilha começaram a sofrer um declínio sem precedentes. Assim, a ilha passou por um ciclo de transformação do ecossistema, no qual a fauna nativa foi quase completamente substituída por uma espécie invasora.

Consequentemente, isso desencadeou a proliferação descontrolada de aranhas. Sem aves para predá-las, esses animais começaram a tecer teias densas por toda a floresta. Em particular, a espécie Argyrodes alterou completamente a aparência da ilha.

Em 1940, uma criatura apareceu em uma ilha nos Estados Unidos e dizimou tudo: hoje, duas espécies temidas pelos humanos coexistem sozinhas.

Esse desequilíbrio ecológico alterou irreversivelmente a biodiversidade da ilha. Isso se deve não apenas aos animais que agora habitam a ilha, mas também aos próprios processos de regeneração da vegetação. Por exemplo, como as árvores não conseguem se reproduzir, sua regeneração natural é retardada.

O novo ciclo funciona assim: as cobras comem os pássaros; os pássaros não comem os frutos das árvores; o solo fica coberto de folhas secas e restos de comida; não há espaço para a renovação das árvores; as aranhas ocupam esses espaços. E sim, houve tentativas de reverter a situação.

Para isso, alguns pesquisadores tentaram controlar a população de cobras usando barreiras para répteis ou iscas envenenadas. O sucesso tem sido insatisfatório. Até o momento, estima-se que existam mais de dois milhões de cobras-arborícolas-marrons na ilha.

Esse caso levanta muitas questões sobre a fragilidade dos ecossistemas, bem como sobre o impacto de espécies invasoras. Isso porque as cobras demonstraram uma impressionante capacidade de adaptação. Embora sua presença tenha sido reduzida em regiões como a Base Aérea de Andersen, elas ainda dominam o ecossistema na maior parte da ilha.

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