Eu sou do tipo que torce o nariz para notebook gamer. A proposta sempre me pareceu um compromisso: você paga caro, carrega um tijolo na mochila, o ventilador parece prestes a decolar e, no final, o desempenho não chega nem perto de um setup de mesa equivalente. O Legion 5 com Intel me fez rever boa parte dessa visão. Não toda, mas boa parte.
A configuração que testei vem com um Intel Core Ultra 7 255HX, 16 GB de RAM, RTX 5060, SSD de 1 TB e uma tela OLED de 15,1 polegadas com resolução WQXGA e 165 Hz. No papel, impressiona. Na prática, também.
Rodei Forza Horizon 6 e Call of Duty Warzone em configurações quase ultra, e o resultado foi fluido, bonito e sem engasgos. Num notebook. Isso ainda me surpreende quando paro para pensar. A tela OLED com HDR e 165 Hz eleva absurdamente a experiência: as cores têm profundidade real, o preto é preto de verdade e a taxa de atualização faz diferença perceptível em jogos rápidos.
Fora dos jogos, o notebook também não decepciona no dia a dia. O teclado é confortável para longas sessões, o peso não é exagerado para a categoria e tem um detalhe que parece bobo mas faz diferença: dá para abrir a tampa com uma mão só, sem precisar segurar a base. Parece pouco, mas revela cuidado no projeto.
Outro ponto que me surpreendeu foi a estabilidade geral do sistema. Ele roda Windows 11 e, ao contrário do que acontece em boa parte dos notebooks com o mesmo sistema, as coisas simplesmente funcionam. Drivers, periféricos, configurações. Sem drama. Assim como deveria ser em todos os notebooks com Windows, e nem sempre é.
Mas nem tudo é perfeito, certo? O calor é compreensível dado o hardware, mas o barulho dos ventiladores em carga pesada é sério. Deve existir drone de entrega mais silencioso. A construção abusa do plástico num produto que custa cerca de R$ 10 mil, o que incomoda. O conector proprietário de carregamento na traseira é limitante se você quiser usar o notebook em outros ambientes. Dá para conviver, mas é uma escolha questionável.
E os adesivos. Tem adesivo da Intel, da NVIDIA e, por algum motivo que escapa à minha compreensão, um do Instituto Ayrton Senna. Respeito muito o instituto. Não entendo o que ele está fazendo dentro de um notebook gamer.
R$ 10 mil é muito dinheiro. Mas com esse hardware, esse painel e essa estabilidade, o Legion 5 tem poder para durar anos sem pedir desculpas. Para quem leva jogos a sério e precisa de portabilidade, é uma das opções mais honestas do mercado atual.
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