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Jordi Martí, arquiteto: “Um toldo verde na varanda é como ter um radiador sobre a janela”

A indústria aponta que essa afirmação tem algumas lacunas e a resposta está na física

Toldos
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin é jornalista.

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Com a chegada dos meses de calor na Europa, as fachadas dos edifícios exibem sua particular armadura de verão: os toldos. Na Espanha, a cena é bastante característica ao caminhar pelas ruas e, curiosamente, a cor que mais se destaca no país é o verde. E embora pareça o escudo perfeito contra a insolação, uma recente advertência técnica abalou o que se acreditava sobre o seu efeito protetor.

Uma das vozes mais importantes é a de Jordi Martí, arquiteto técnico que fez uma analogia bastante forte, citada pela Decosfera: ter um toldo verde escuro é “como ter um radiador diante da janela”. E sua premissa se baseia em um princípio incontestável da física dos materiais, já que a absorção da radiação solar varia bastante de acordo com a cor.

Isso é algo bem conhecido no mundo da moda e presente no senso comum: no verão, normalmente se opta por roupas claras por refletirem melhor o calor. Já vestir roupas escuras em pleno verão, na prática, é uma má ideia, pois a transpiração é praticamente garantida.

Isso acontece exatamente da mesma forma com os toldos, já que, enquanto cores claras (como o branco puro) refletem a maior parte da radiação luminosa e aquecem menos, cores escuras absorvem a luz e o calor. Isso faz com que um toldo verde escuro possa chegar a absorver entre 80% e 90% da radiação solar, uma cifra que, no caso das lonas pretas, chega a cerca de 98%.

Segundo Martí, o tecido aquece de forma drástica e gera uma “bolsa de calor” estagnada sob o toldo. E isso é um problema porque, abaixo dele, está a nossa casa, que passa a acumular toda essa energia, resultando em aumento da temperatura — justamente o efeito contrário ao desejado.

Está comprovado

Para sustentar a base científica dessa posição, costuma-se recorrer ao trabalho de Hubertus Pöppinghaus, arquiteto alemão referência no estudo de sombras e radiação. Nesse caso, por meio do uso de câmeras termográficas, Pöppinghaus analisou o comportamento de diferentes materiais, evidenciando os picos de temperatura alcançados por tecidos escuros. Entre suas conclusões, ele deixa claro como devem ser as lonas utilizadas:

  • A face externa deve ser refletiva e de cor clara, para que a radiação solar visível seja refletida e não acumule calor.
  • A face interna deve ser escura, pois isso reduz drasticamente a reflexão da radiação solar de onda curta que retorna da rua e das calçadas, diminuindo o fluxo total de calor.

A indústria não concorda

A Associação Espanhola de Sombreamento e Controle Solar Dinâmica busca desmentir essa afirmação com base no comprimento de onda da radiação. A energia enviada pelo Sol à Terra chega na forma de radiação solar direta, principalmente de onda curta, que atravessa os vidros das janelas e aquece o interior das casas.

Mas quando um toldo, seja qual for sua cor, intercepta essa radiação externa, ele bloqueia esse impacto e, de fato, aquece. Ao fazer isso, a energia que a lona reemite ao ambiente já não é de onda curta, mas sim radiação infravermelha de onda longa, e aqui está o ponto fundamental que desmonta o “efeito radiador”: o vidro padrão das janelas é opaco à radiação de onda longa.

Em outras palavras, para a indústria, é fisicamente impreciso afirmar que o toldo escuro transfere o calor do exterior para o interior através do vidro, já que a radiação térmica emitida pela lona aquecida bate no vidro e não penetra na casa. Segundo a AESSO, o que realmente prejudica a eficiência energética é deixar que o Sol incida diretamente sobre o vidro e, por isso, qualquer sistema de sombreamento é positivo.

Imagens | Elisabeth Fossum

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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