4 anos atrás a China não era ninguém na indústria de chips; agora, tem 3 fabricantes no top 20

As restrições dos EUA acabaram acelerando aquilo que pretendiam frear: a China triplicou sua presença entre os grandes fabricantes de equipamentos para semicondutores

Corrida dos chips na China / Imagem: ASML
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Em 2022, a China tinha apenas um fabricante de equipamentos para chips entre os 20 primeiros do mundo. Em 2026, passou a ter três. Como isso aconteceu? As sanções dos EUA, projetadas para limitar o acesso chinês a essa tecnologia avançada, acabaram impulsionando justamente o contrário: a indústria local se fortaleceu e foi aumentando sua independência.

Esse avanço questiona o domínio tecnológico ocidental em um setor crítico. Além disso, está gerando, no momento, uma guerra comercial. A fabricação de máquinas para produzir semicondutores era uma fraqueza chinesa e agora está se tornando uma alternativa real. E a velocidade com que isso está acontecendo nos mostra que as restrições comerciais podem acabar sendo contraproducentes.

Os protagonistas:

  • A Naura Technology Group saltou da oitava para a quinta posição mundial em vendas, com um crescimento de 21% no ano passado.
  • A Advanced Micro-Fabrication Equipment (AMEC) entrou diretamente na 13ª posição com sistemas de gravação capazes de produzir chips de 5 nanômetros.
  • A Shanghai Micro Electronics Equipment ocupa o vigésimo lugar, fabricando equipamentos de litografia que, embora menos avançados que os da ASML, cobrem parte da demanda chinesa.

Há três anos, a China fabricava localmente apenas 10% de seu equipamento para semicondutores. Hoje, esse número está entre 20% e 30%, segundo Tetsuo Omori, analista da Techno Systems Research, em declarações ao Nikkei Asia. O governo investiu muito dinheiro por meio de fundos nacionais e locais, o que provocou uma explosão de fabricantes que agora cobrem todas as etapas da produção.

As empresas ocidentais e japonesas têm dois problemas sobre a mesa. No curto prazo, mais concorrência no mercado chinês, que cresceu 35% em 2024, chegando a 49,5 bilhões de dólares.
No longo prazo, ver sua vantagem tecnológica sendo gradualmente reduzida, enquanto a cadeia de suprimentos chinesa ganha força.

No entanto, a China ainda não domina a tecnologia mais avançada. Os sistemas de litografia ultravioleta extrema (EUV), indispensáveis para chips de 2 e 3 nanômetros, só são fabricados pela ASML.

O CEO da ASML, Christophe Fouquet, afirma que a China levará “muitos, muitos anos” para desenvolver essa capacidade. Soa como uma mensagem de tranquilidade para o Ocidente, mas a história recente da China não convida a dar nada por garantido.

A corrida pela liderança em semicondutores se dá agora em dois tabuleiros. Um é o tecnológico: quem consegue fabricar os chips mais avançados. O outro é o da autossuficiência: quem consegue controlar mais elos de sua cadeia de suprimentos.

A China vai perdendo no primeiro, mas está avançando muito rápido no segundo. E isso pode mudar ainda mais as regras que conhecíamos.

Imagem | ASML

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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