A China injetou US$10 bilhões na indústria russa e o resultado é alarmante: a produção em massa do míssil que o Ocidente mais teme

Sem enviar uma única arma, China teria ajudado Rússia a driblar sanções e acelerar a fabricação de um míssil quase impossível de interceptar

Bandeira da China e Rússia atrás de mísseis. Créditos: ShutterStock
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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A China voltou ao centro de uma polêmica geopolítica global, mas desta vez, longe dos discursos diplomáticos e mais perto do chão de fábrica. Relatórios citados pelo jornal britânico The Telegraph apontaram que equipamentos industriais chineses estariam desempenhando um papel-chave na expansão da capacidade russa de produzir o míssil balístico de médio alcance Oreshnik, uma das armas mais perigosas do arsenal.

De acordo com as informações divulgadas, o apoio não envolve o envio direto de armas, mas algo menos visível, porém essencial para manter linhas de produção funcionando: máquinas-ferramenta de alta precisão, microchips e componentes industriais, avaliados em US$ 10,3 bilhões, capazes de sustentar a produção militar russa mesmo sob um regime severo de sanções internacionais. 

Como uma máquina chinesa se tornou central na produção do Oreshnik?

Entender o papel da China nesse processo exige olhar para além do armamento final e focar na infraestrutura que o torna possível. A pista mais concreta sobre esse apoio não surgiu de dentro de uma instalação industrial estratégica. Segundo a inteligência militar da Ucrânia, uma máquina de controle numérico computadorizado (CNC) de origem chinesa foi identificada na fábrica estatal de Votkinsk, principal polo de produção de mísseis da Rússia e alvo direto de sanções impostas por Estados Unidos, União Europeia, Reino Unido e Japão.

Esse tipo de equipamento é essencial para usinagem avançada e corte de metais com altíssima precisão, algo indispensável para a fabricação de ogivas e componentes de mísseis. Relatórios de inteligência e análises de órgãos de defesa europeus e ucranianos apontam que a indústria russa enfrenta limitações estruturais nesse ponto, já que muitas fábricas operam com maquinário antigo e não conseguem manter velocidade, escala e qualidade sem apoio externo.

A descoberta ajuda a explicar como a Rússia conseguiu acelerar a produção do Oreshnik, um míssil balístico hipersônico que já foi usado em combate e que seria extremamente difícil de interceptar. Capaz de transportar múltiplas ogivas, a parte frontal e destrutiva dos mísseis, ele consegue atingir a grandes distâncias alvos diferentes simultaneamente, e tudo isso em menos de 20 minutos.

A guerra travada nas fábricas: como máquinas civis e chips alimentam armas estratégicas

Antes de virar míssil, a guerra passa por cadeias de suprimento, contratos industriais e linhas de montagem. Os dados levantados indicam que a China se tornou um dos principais fornecedores desse tipo de infraestrutura industrial para a Rússia. Desde o início do conflito, em 2022, a China teria fornecido à Rússia US$3,1 bilhões apenas em máquinas CNC, além de grandes volumes de microchips, placas de memória, rolamentos de esferas, cristais piezoelétricos e equipamentos de teste eletrônico.

Muitos desses equipamentos parecem inofensivos à primeira vista, já que são amplamente usados na indústria civil, e é justamente aí que está o ponto. Classificados como itens de “duplo uso”, eles podem ser empregados tanto em aplicações comerciais quanto militares, tornando-se peças-chave para a produção de armas de precisão, sistemas de radar, tecnologias de guerra eletrônica, drones e mísseis balísticos.

Avaliações citadas em investigações conduzidas pela imprensa britânica e por serviços de inteligência ucranianos indicam que a Rússia não consegue fabricar internamente muitos desses itens em volume ou com a qualidade necessária. A solução, portanto, foi recorrer ao setor industrial chinês, que opera em uma escala e nível tecnológico muito além da capacidade russa. Esse fluxo constante de equipamentos teria permitido a Moscou contornar sanções, manter o ritmo de produção e planejar modernizações no Oreshnik, com foco em aumentar seu poder destrutivo.


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