A ofensiva da França para controlar o ambiente digital dos jovens está prestes a entrar em um território ainda mais polêmico. Após aprovar o projeto que proíbe redes sociais para menores de 15 anos, o governo francês sinalizou que as VPNs (Redes Privadas Virtuais) são o próximo alvo da regulamentação nacional.
O motivo é simples: as VPNs permitem que os usuários mascarem sua localização real, o que possibilitaria que adolescentes franceses burlassem os bloqueios geográficos para acessar plataformas proibidas. Para a ministra delegada de Assuntos Digitais, Anne Le Hénanff, a lei das redes sociais foi apenas o "primeiro passo", e as VPNs já estão no topo de sua lista de prioridades.
O conflito entre segurança infantil e privacidade digital
As VPNs deixaram de ser ferramentas de nicho para se tornarem essenciais na proteção de dados e privacidade. No entanto, o governo as vê agora como um obstáculo para a eficácia de suas novas leis:
Autoridades temem que o banimento das redes sociais seja inútil se os jovens puderem simular que estão acessando a internet de outro país.
A nova legislação exige que todas as plataformas verifiquem a idade de todos os usuários (incluindo adultos) até o fim de 2026, e as VPNs complicam essa validação de identidade.
Ativistas de direitos digitais e figuras públicas, como o cineasta Alexandre Jardin, acusam o governo de adotar medidas típicas de regimes autoritários. "O que ontem era tratado como delírio paranoico agora é oficialmente admitido", escreveu no X, argumentando que os controles sobre as VPNs equivaleriam à censura da internet aberta.
GLAÇANT
— Alexandre Jardin (@AlexandreJardin) January 31, 2026
Ce qui était traité hier comme du délire parano est désormais assumé officiellement :
l’interdiction des réseaux sociaux n’est qu’un début vers la censure d’Internet .
La ministre annonce déjà, sans se cacher, le contrôle des VPN — comme dans les régimes autoritaires.… https://t.co/iKCmRpTSdi
Um debate global em expansão
A França não está sozinha nessa tendência de endurecer o controle sobre ferramentas de anonimato:
- Reino Unido: o governo iniciou consultas para restringir o uso de VPNs por menores de idade dentro de seu novo arcabouço de segurança online.
- Estados Unidos: no estado de Michigan, legisladores propuseram um projeto que não apenas proibiria o uso de VPNs, mas também o seu anúncio ou promoção.
- Risco à segurança: especialistas alertam que restringir VPNs pode prejudicar jornalistas, empresas com funcionários remotos e usuários comuns que dependem da criptografia para se proteger contra vigilância e roubo de dados.
A grande questão para os legisladores europeus agora é como proteger os menores sem violar o direito fundamental à privacidade garantido pela Carta de Direitos Fundamentais da União Europeia.
Ver 0 Comentários