"É como vender armas nucleares": CEO da Anthropic detona Nvidia por envio de chips à China

Uma das vozes mais respeitadas da inteligência artificial decidiu quebrar o silêncio sobre o comércio de tecnologia entre EUA e China

Foto: Kimberly White/Getty Images para TechCrunch
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Matheus de Lucca

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Editor-chefe do Xataka Brasil. Jornalista há 10 anos, entusiasta de tecnologia, principalmente da área de computação e componentes de PC. Saudosista da época em que em vez de um celular fazer tudo que se possa imaginar, tínhamos MP3, alarme e relógio.

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Durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, uma das vozes mais respeitadas da inteligência artificial decidiu quebrar o silêncio sobre o comércio de tecnologia entre EUA e China. Dario Amodei, CEO da Anthropic, classificou como "loucura" a decisão do governo americano de permitir que a Nvidia venda seus superchips para Pequim, comparando o ato a entregar armas de destruição em massa a um inimigo declarado.

"Gênios em um data center" nas mãos erradas

Em entrevista à Bloomberg (via TechCrunch), Amodei não poupou metáforas para descrever o risco de fornecer hardware de ponta, como os chips H200 da Nvidia, para empresas chinesas. Para ele, o assunto não é apenas de processadores mais rápidos, mas de segurança nacional dos EUA em escala existencial.

"Eu acho que isso é loucura", disparou Amodei. "É um pouco como, não sei, vender armas nucleares para a Coreia do Norte e se gabar disso".

O medo do executivo reside na capacidade exponencial da IA. Segundo ele, os modelos atuais estão evoluindo para se tornarem "um país de gênios em um data center". Ele projeta um cenário em que uma nação hostil poderia ter sob seu controle uma inteligência equivalente a "100 milhões de pessoas mais inteligentes que qualquer vencedor do Prêmio Nobel".

Mordendo a mão que alimenta?

O ataque de Amodei é ainda mais surpreendente quando olhamos para quem financia sua empresa. A Anthropic, criadora da família de modelos Claude, possui uma relação estratégica com a Nvidia, que investiu pesado na companhia.

Ao criticar a venda de chips, Amodei está, na prática, criticando uma fonte de receita crucial de seu próprio investidor. No entanto, ele argumenta que a vantagem tecnológica dos EUA é real, mas frágil: "Estamos muitos anos à frente da China em termos de nossa capacidade de fazer chips. Então, acho que seria um grande erro enviar esses chips".

O dilema de 70 bilhões de dólares

Enquanto Amodei alerta para o apocalipse de segurança, a Anthropic continua precisando desse hardware para atingir suas próprias metas ambiciosas. A empresa projeta uma receita de US$ 70 bilhões até 2028, algo que só será possível com o fluxo contínuo dos mesmos processadores que ele agora pede para não serem enviados à Ásia.

A Nvidia, por sua vez, segue no centro de uma guerra fria tecnológica, tentando equilibrar as restrições do governo americano com a demanda insaciável do mercado chinês. Mas se depender do conselho do CEO da Anthropic, a torneira deve ser fechada antes que esses "gênios digitais" mudem de lado.

Foto de capa: Kimberly White/Getty Images para TechCrunch

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