EUA liberam Nvidia a voltar a vender chips para a China, mas país asiático proíbe empresas de fazerem pedidos — a regra é apostar na tecnologia nacional

A flexibilização à venda dos chips H200 esbarrou na alfândega chinesa, que avisou suas empresas de que não podem fazer pedidos

Nvidia na China / Imagem: Partido Comunista da China, Nvidia + Photoshop
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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A China transformou o desenvolvimento tecnológico em política de estado. O país está impulsionando sua economia por meio da produção de robôs (alguns já trabalhando em lojas ou em situações de catástrofe), inteligência artificial e, sobretudo, chips. Gigantes como a Huawei e empresas como a SMIC estão desenvolvendo chips com um objetivo em mente: eliminar a dependência dos EUA.

A atual guerra tecnológica entre EUA e China implica que empresas ocidentais não podem fazer negócios com as chinesas. Isso inclui a venda de máquinas para fabricar chips avançados, mas também impede que a Nvidia, por exemplo, venda até mesmo seus chips avançados ou os de gerações anteriores. Há algumas semanas, no entanto, os EUA flexibilizaram suas políticas, o que abriu a porta para que a Nvidia pudesse voltar a vender os famosos chips H200 a determinados clientes chineses.

Os EUA ficariam com uma taxa de 25% sobre cada venda, de modo que seria um ganha-ganha: os clientes chineses teriam acesso a chips renomados e a Nvidia conseguiria abocanhar uma parte do mercado chinês (um mercado de 50 bilhões de dólares), ao menos até que as empresas locais desenvolvessem suas alternativas.

Na semana passada, foi noticiado que a Nvidia havia aumentado a produção esperando dois milhões de pedidos. Naquele momento, a China não havia se pronunciado, e a pessoa mais interessada na operação, Jensen Huang, CEO da Nvidia, comentou que, se os pedidos estavam chegando, é porque as empresas teriam autorização para fazê-los. Isso foi interpretado como uma confirmação silenciosa por parte da China.

Agora, tudo mudou. Embora a China continue sem se manifestar oficialmente, o Financial Times aponta que a Nvidia foi pega de surpresa ao constatar que, a partir da alfândega, os pedidos haviam sido interrompidos. Segundo as fontes ouvidas pelo veículo, autoridades da alfândega na China convocaram recentemente empresas de logística de Shenzhen — um dos polos centrais da inovação tecnológica do país — para avisar de algo: elas não poderiam apresentar solicitações de envio dos chips H200. Essa pressão levou a empresa a pausar a produção. 

Chips nacionais, por favor

A política chinesa, há alguns meses, é muito clara: favorecer e promover a indústria local com um objetivo — “Delete America”. A China busca a soberania tecnológica por meio de gigantes como a própria Nvidia, mas também de outras empresas como Moore Threads, Biren, MetaX e Enflame.

No entanto, o fato de não ser possível fazer pedidos para comprar chips da Nvidia não significa que eles tenham deixado de ser adquiridos. Como a Reuters reportou há alguns meses, essa proibição e o veto à venda de chips sofisticados impulsionaram um mercado negro de chips estadunidenses, sobretudo dos B200 e B300 da Nvidia, mais potentes do que os H200 cuja venda foi autorizada pela administração americana.

Fala-se em um mercado de mais de 1 bilhão de dólares e, embora a Nvidia tivesse esperanças de voltar a faturar no país pela via oficial, tudo indica que o governo continuará incentivando suas empresas de tecnologia a apostar em soluções improvisadas.

Imagens | Partido Comunista da China, Nvidia + Photoshop

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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