De "chefão" na Dark Web a 30 anos de prisão: o fim do Incognito Market, um mercado de drogas online com mais de 640 mil transações

Ele também terá que pagar mais de US$ 105 milhões 

Dark Web | Fonte: Unsplash/Kaur Kristjan
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
vika-rosa

Vika Rosa

Redatora
vika-rosa

Vika Rosa

Redatora

Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.


233 publicaciones de Vika Rosa

O Ministério Público dos EUA anunciou uma vitória histórica no combate ao cibercrime e ao tráfico de drogas. Rui-Siang Lin, o mentor por trás do Incognito Market, foi condenado a 30 anos de prisão. Além da pena de reclusão, o taiwanês terá que pagar mais de US$ 105 milhões e cumprir cinco anos de liberdade condicional supervisionada.

Conhecido no submundo digital pelo codinome "Faraó", Lin operou entre 2020 e 2024 uma das plataformas mais prolíficas da dark web, movimentando centenas de milhões de dólares em transações de narcóticos através da rede Tor.

O império do Incognito Market em números

O mercado funcionava como um gigante do e-commerce para substâncias ilícitas, conectando mais de 1.800 vendedores a uma base de 400.000 compradores.

A plataforma facilitou a venda de mais de uma tonelada de cocaína, uma tonelada de metanfetamina e centenas de quilos de outras drogas. Além disso, o site vendeu oxicodona falsificada misturada com fentanil, o que resultou na morte de um jovem de 27 anos no Arkansas.

Pouco antes de fechar o site em março de 2024, Lin roubou US$ 1 milhão de contas de usuários e tentou extorquir clientes e vendedores, ameaçando vazar seus dados publicamente.

Vida dupla: entre o crime e o treinamento policial

Um dos detalhes mais chocantes do caso é que, enquanto administrava seu império bilionário de drogas, Lin mantinha uma fachada profissional respeitável. Ele chegou a ministrar um curso de quatro dias para policiais em Santa Lúcia sobre "Crimes Cibernéticos e Criptomoedas".

A juíza distrital Colleen McMahon descreveu este como o caso de drogas mais grave de seus 30 anos de carreira. O desfecho foi fruto de uma força-tarefa que envolveu o FBI, o FDA e o Departamento de Polícia de Nova York, provando que tecnologias como blockchain e navegadores anônimos não são blindagens impenetráveis para criminosos.

"A internet, a descentralização ou o blockchain não são licenças para operar um negócio de narcóticos", afirmou o procurador Jay Clayton.

Inicio