Você assiste nas Olimpíadas, mas não sabe a origem: cada pedra de Curling vem do mesmo vulcão de um país exótico há 100 anos

Quase todas as pedras olímpicas vêm de uma única ilha escocesa desde o século 19

Foto: AS Photography/Pixabay
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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

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O Curling é um dos esportes mais curiosos dos Jogos de Inverno, frequentemente chamado de "xadrez no gelo". No entanto, o que poucos espectadores imaginam é que cada uma das pedras de 20 kg lançadas pelos atletas compartilha exatamente a mesma "certidão de nascimento". Há mais de um século, todas as pedras utilizadas em competições oficiais de elite vêm de uma pequena ilha vulcânica desabitada chamada Ailsa Craig, na Escócia.

"Xadrez no gelo": entenda a dinâmica do curling olímpico

O Curling é um dos esportes coletivos mais antigos do mundo, praticado desde o século 16 em lagos congelados na Escócia. É um esporte de precisão, disputado em uma pista de gelo retangular com pedras de cerca de 20 kg e uma circunferência de 910 milímetros.

O objetivo é simples: lançar pedras de granito para que elas parem o mais próximo possível do centro de um alvo chamado "casa". Enquanto um jogador lança, outros dois utilizam vassouras para varrer o gelo à frente da pedra. Esse processo gera calor por atrito, derretendo levemente o gelo e criando uma fina camada de água que reduz a fricção, permitindo controlar a velocidade e a direção da pedra.

O apelido "xadrez no gelo" existe porque o curling exige muita estratégia e raciocínio. Assim como no xadrez, os jogadores precisam planejar jogadas com antecedência para vencer o adversário. Além disso, os jogadores também precisam criar barreiras para tirar as pedras do outro time do caminho. Por isso, assim como no xadrez, a inteligência e o planejamento tático são mais importantes do que a força física durante a partida.

Foto: Shvets Production/Pexels

A ilha vulcânica que abastece o curling mundial

Em outros esportes, os equipamentos são feitos por diferentes fabricantes. No curling, o processo de produção da pedra destaque do jogo é diferente: o esporte olímpico de inverno depende praticamente de uma única origem no planeta. 

Cerca de dois terços das pedras usadas em competições oficiais saem de Ailsa Craig, uma pequena ilha vulcânica desabitada na costa da Escócia, com pouco mais de 2 mil km².

O local abriga um tipo de granito extremamente denso, pouco poroso e resistente à água. Essas propriedades são essenciais para que as pedras suportem impactos constantes e deslizem no gelo sem deformar ou rachar. A textura do granito escocês ajuda a manter peso, equilíbrio e previsibilidade nos arremessos no curling olímpico.

Um monopólio de 150 anos

A extração e a fabricação das pedras de curling estão nas mãos da mesma empresa há mais de um século. A fabricante escocesa Kays of Scotland atua no setor há mais de 150 anos e detém, desde 1851, o direito exclusivo de explorar o granito da ilha. 

A empresa Kays of Scotland é a fornecedora oficial da Federação Mundial de Curling e das pedras usadas nos Jogos Olímpicos de Inverno.

Outra curiosidade é que o contrato ainda é válido independentemente de quem seja o proprietário do território. Hoje, a ilha Ailsa Craig pertence a David Kennedy, o nono Marquês de Ailsa. Sua família controla a área há cerca de dois séculos. 

Quanto custa uma pedra olímpica de curling?

A empresa fabrica cerca de 1.500 unidades por ano. O preço acompanha a exclusividade: cada pedra custa aproximadamente 840 euros (cerca de R$ 5,2 mil). Como uma partida utiliza 16 peças, o conjunto completo pode ultrapassar R$ 80 mil.

Foto de capa: AS Photography/Pixabay

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