Um gigante nuclear projetado para abrir caminho no Ártico: assim é o quebra-gelo mais moderno da frota russa

O “Yakutiya” pode quebrar gelo de até três metros e escoltar grandes embarcações

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Ao longo de séculos, o gelo do Ártico foi uma barreira física para a navegação. Não se trata apenas de temperaturas extremas ou mares agitados, mas de placas capazes de fechar rotas inteiras durante boa parte do ano. Nesse cenário, abrir caminho para os navios não depende apenas de mapas ou satélites, mas de uma maquinaria muito específica: os quebra-gelos. Segundo o CSIS, a Rússia dispõe da maior frota de quebra-gelos do mundo, nucleares e não nucleares, e essa capacidade se tornou uma ferramenta que combina logística, economia e presença estatal em uma das regiões mais disputadas do planeta.

Um dos exemplos mais recentes dessa aposta é o quebra-gelo nuclear “Yakutiya”. Esse navio faz parte do projeto 22220, uma série concebida para sustentar a navegação durante todo o ano no Ártico russo e facilitar o trânsito pela Rota Marítima do Norte. Construído no Baltic Shipyard, em São Petersburgo, e operado pela Atomflot, a divisão de quebra-gelos da Rosatom, o “Yakutiya” integra uma geração de embarcações que a Rússia considera fundamental para manter a atividade marítima em suas águas árticas.

Um navio projetado para abrir caminho nas rotas mais difíceis do planeta

Segundo o site World Nuclear News, em 10 de outubro de 2024, que o primeiro dos dois reatores RITM-200 do barco havia alcançado o nível mínimo controlado de potência após o carregamento de combustível e as verificações correspondentes. Em dezembro de 2024, o navio havia concluído os testes de mar do construtor antes da entrega. Já em abril de 2025, o “Yakutiya” navegava rumo ao seu porto-base em Murmansk e, segundo o The Barents Observer, esperava-se que seguisse para o mar de Kara para apoiar operações no Ártico ocidental.

Além da sua cronologia de construção, o que define o “Yakutiya” são suas capacidades técnicas. De acordo com dados da Rosatom, o navio mede 173,3 metros de comprimento e 34 metros de boca, com 33 metros na linha d’água — dimensões que lhe permitem abrir canais suficientemente largos para grandes embarcações. Seu deslocamento gira em torno de 33.000 toneladas. Em condições de águas livres, pode alcançar uma velocidade próxima de 22 nós, cerca de 40 km/h. A característica mais determinante é sua capacidade de romper gelo com até três metros de espessura.

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A Rosatom explica ainda que esses navios são definidos como quebra-gelos nucleares universais. Foram projetados para operar tanto em mar aberto quanto em áreas de pouca profundidade do Ártico, incluindo as desembocaduras dos rios siberianos. Essa combinação amplia consideravelmente seu campo de atuação dentro da rede de rotas árticas, onde as condições de gelo e profundidade podem variar de forma significativa conforme a região.

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Além disso, os quebra-gelos dessa classe podem escoltar navios comerciais de grande tonelagem, incluindo petroleiros e embarcações de transporte de gás natural liquefeito. Cada unidade é projetada para operar durante décadas, com vida útil estimada em pelo menos 40 anos e uma tripulação aproximada de 75 pessoas.

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Para entender por que a Rússia investe em navios como o “Yakutiya”, é preciso olhar o mapa do Ártico. A Rota Marítima do Norte margeia a costa setentrional russa e conecta o estreito de Bering ao estreito de Kara (Kara Gate), segundo o CSIS. A mesma análise aponta que Moscou considera essa via marítima um pilar de sua estratégia econômica e de segurança na região, pois facilita o transporte de recursos e reforça sua presença em uma área cada vez mais disputada.

Nesse contexto, a vantagem de escala em quebra-gelos facilita manter o tráfego marítimo em condições extremas e sustentar atividades comerciais e estatais na região. O “Yakutiya” é mais uma peça dentro dessa aposta no Ártico. Resta saber até que ponto a Rússia conseguirá continuar ampliando e modernizando essa frota em um cenário internacional complexo e com uma indústria submetida a pressões externas.

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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