Cientistas encontraram um “lago” no fundo do oceano. E ele é tão tóxico quanto fascinante

Como surgem essas “águas dentro da água”, qual é sua função e como alguns seres vivos conseguem sobreviver nesse ambiente venenoso?

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ana-serra

Carolina Rodrigues

Redatora
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Costuma-se dizer que sabemos mais sobre a Lua, e talvez até sobre Marte, do que sobre nossos próprios oceanos. A água cobre 70% da superfície da Terra, e em mais da metade da área oceânica a profundidade média ultrapassa os 3 mil metros. A vários quilômetros abaixo da superfície, reinam uma pressão enorme e uma escuridão quase absoluta. Mesmo assim, algumas formas de vida primitivas conseguem sobreviver nessas condições. Agora, ao que tudo indica, certos tipos de formações naturais também encontram ali um ambiente ideal.

O que são os lagos salinos submersos

Os lagos salinos submersos, também chamados de poças de salmoura, estão entre as formações mais raras do planeta. Eles se formam por causa de sua concentração extremamente alta de sal, que permite que essa massa de água fique separada, com limites bem definidos, no fundo de mares e oceanos. Esses “lagos” têm suas próprias margens e até ondas lentas, criando a impressão de que há um lago escondido no fundo de uma massa de água muito maior. Sua salinidade pode ser de três a oito vezes maior que a da água do mar comum.

Onde eles estão localizados

Até agora, apenas algumas dessas poças de salmoura foram descobertas, principalmente no Golfo do México, no Mar Mediterrâneo e no Mar Vermelho. Elas são facilmente reconhecidas por sua superfície densa e leitosa. Por isso, especialistas que estudam o fundo de mares e oceanos conseguem identificá-las rapidamente quando se deparam com uma delas. Sua existência indica que, naquele ponto, pode haver camadas de sal em dissolução contínua, circulação hidrotermal ou vestígios de mares antigos.

Uma armadilha mortal (e um ecossistema único)

Para a maioria das formas de vida da Terra, essas poças salinas criam um ambiente mortal. Elas são enriquecidas com metano e outras substâncias tóxicas, fazendo com que animais do fundo do mar que entram ali praticamente sufoquem de imediato. Seus restos se acumulam no leito marinho, já que, em condições sem oxigênio, a decomposição também não acontece como de costume. Mas onde a água do mar “normal” encontra essas poças de salmoura, surge um ecossistema surpreendentemente rico.

Diferentes microrganismos formam “tapetes” bem definidos, cada um adaptado à sua maneira para sobreviver. Nas margens, até pequenos moluscos aparecem. Bactérias que vivem em suas brânquias transformam metano e enxofre em energia para eles. Já os camarões ficam pairando na fronteira entre os dois ambientes e se alimentam de peixes e crustáceos que passam por ali. Eles usam as poças salinas como armadilhas: os animais atordoados pelo ambiente tóxico acabam virando presa.

Assim é a vida ao redor das salinas:

Texto traduzido e adaptado do agroforum.hu.

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