O âmbar é uma janela extraordinária para o passado. Nele, insetos fossilizados podem ser preservados com um nível de detalhe raramente visto em outros tipos de fóssil.
Quando a resina envolve um animal, ele é rapidamente isolado do oxigênio. Com isso, até partes delicadas do corpo, como antenas, asas e pequenos pelos, escapam da decomposição.
Ao longo de milhões de anos, essa resina passa por transformações químicas e se converte em âmbar por meio da polimerização, processo em que moléculas orgânicas se unem de forma densa.
O resultado é um material estável e vítreo, que funciona como uma cápsula do tempo natural, capaz de preservar até detalhes microscópicos de ecossistemas antigos. E agora, mais uma descoberta única foi feita.
O percevejo com "garras de caranguejo"
Um pequeno inseto do período Cretáceo se mostrou muito mais surpreendente do que se imaginava.
Em um pedaço de âmbar da região de Kachin, em Myanmar, pesquisadores encontraram uma nova espécie de percevejo, equipada com patas dianteiras que terminam em grandes garras parecidas com as de caranguejos, uma estrutura quase nunca vista em insetos.
O fóssil de 100 milhões de anos recebeu o nome de Carcinonepa libererrantes e mostra que a evolução reinventou, em diferentes momentos e de forma independente, esse tipo de ferramenta de captura.
Reconstrução digital em 3D
Com o uso de microtomografia computadorizada, os biólogos conseguiram reconstruir toda a anatomia do animal em 3D e comparar o formato das garras com mais de 2 mil estruturas de preensão conhecidas em espécies extintas e atuais.
Nome inspirado em grupo de K-pop
A análise revelou que as garras se parecem mais com as de artrópodes distantemente aparentados, como caranguejos e camarões, do que com qualquer coisa já observada em insetos.
A diferença era tão marcante que os pesquisadores criaram um novo gênero, Carcinonepa, nome inspirado na palavra grega para caranguejo.
Os pesquisadores utilizaram a tomografia computadorizada de microfoco para examinar o fóssil
“Anteriormente, essas garras eram conhecidas apenas em três grupos de insetos. Por isso, esse fóssil representa o quarto caso conhecido em que estruturas desse tipo evoluíram de forma independente entre insetos”, afirma a pesquisadora principal Carolin Haug, em comunicado.
O nome da espécie, libererrantes, é uma homenagem ao grupo de K-pop Stray Kids, porque as garras do inseto lembram o gesto de mão icônico da banda.
O fóssil posiciona a espécie entre os percevejos aquáticos, próximos de uma família moderna chamada Gelastocoridae, formada por pequenos predadores terrestres.
“A morfologia de C. libererrantes sugere que essa espécie tinha um estilo de vida semelhante”, conclui Carolin Haug.
“Podemos imaginar que ela vivia em uma floresta do Cretáceo, provavelmente perto da costa.”
Nesse ambiente, o inseto teria usado suas garras poderosas para capturar outros pequenos animais.
O estudo foi publicado na revista Insects.
Texto traduzido e adaptado do Illustrert Vitenskap.
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