Tendências do dia

Harvard desenvolveu um chip que imita o intestino humano e pode ajudar milhões de pessoas

Pesquisadores da universidade usaram um chip especial para investigar quais fatores podem agravar as doenças inflamatórias intestinais

Imagem 1200x900 Recorte Chip
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
ana-serra

Carolina Rodrigues

Redatora
ana-serra

Carolina Rodrigues

Redatora

O tratamento das doenças inflamatórias intestinais, conhecidas pela sigla DII, é um desafio há muito tempo. Isso porque os médicos ainda não sabem exatamente o que causa a inflamação crônica, os danos aos tecidos e a formação de cicatrizes observados nos pacientes. A própria DII é um termo guarda-chuva que inclui a doença de Crohn e a colite ulcerativa, condições que afetam milhões de pessoas no mundo. O quadro se desenvolve, em parte, quando o sistema imunológico reage de forma inadequada a bactérias do intestino que, em geral, seriam inofensivas.

O desafio do diagnóstico e tratamento das DII

Agora, pesquisadores da Universidade Harvard apresentaram uma novidade que pode aproximar a medicina de uma melhor compreensão, e possivelmente do tratamento, dessas doenças. Os cientistas criaram um chip orgânico capaz de revelar alguns dos mecanismos por trás da DII, incluindo, por exemplo, como as alterações hormonais durante a gravidez podem influenciar a doença.

O estudo busca preencher uma das principais lacunas das pesquisas sobre DII. Modelos animais muitas vezes não conseguem reproduzir as respostas imunológicas humanas nem o comportamento dos tecidos, deixando sem resposta questões importantes sobre a doença de Crohn e a colite ulcerativa.

Para enfrentar esse problema, os pesquisadores desenvolveram chips específicos para cada doador, usando células retiradas de áreas inflamadas e saudáveis dos mesmos pacientes com DII. Esses chips combinam as células em um sistema que imita o fluxo sanguíneo, o movimento dos líquidos no intestino e até os movimentos intestinais.

O resultado foi um sistema vivo que permite aos pesquisadores observar, em tempo real, como a inflamação se desenvolve, segundo o Interesting Engineering. A descoberta foi publicada pelos cientistas na revista Nature Biomedical Engineering.

O papel dos fibroblastos e do movimento intestinal na inflamação

Os pesquisadores descobriram que os fibroblastos presentes na parede intestinal funcionam como catalisadores para o desenvolvimento da doença. Os testes mostraram que, quando havia fibroblastos derivados de pacientes com DII no chip, até células epiteliais saudáveis começavam a se comportar como se estivessem doentes.

O estiramento mecânico do tecido agravou ainda mais a inflamação e a fibrose, sugerindo que o próprio movimento do intestino pode influenciar a gravidade da doença.

Gravidez e o risco de tumores: os próximos passos da pesquisa

O estudo também constatou que hormônios produzidos no primeiro trimestre da gravidez intensificaram a inflamação, o que pode ajudar a explicar por que a doença pode voltar a se manifestar ou piorar durante a gestação.

A pesquisa ainda apontou que o comportamento das células pode aumentar o risco de doenças tumorais, mas esse ponto ainda exigirá novos estudos.

Texto traduzido e adaptado do hvg.hu.

Inicio