O tratamento das doenças inflamatórias intestinais, conhecidas pela sigla DII, é um desafio há muito tempo. Isso porque os médicos ainda não sabem exatamente o que causa a inflamação crônica, os danos aos tecidos e a formação de cicatrizes observados nos pacientes. A própria DII é um termo guarda-chuva que inclui a doença de Crohn e a colite ulcerativa, condições que afetam milhões de pessoas no mundo. O quadro se desenvolve, em parte, quando o sistema imunológico reage de forma inadequada a bactérias do intestino que, em geral, seriam inofensivas.
O desafio do diagnóstico e tratamento das DII
Agora, pesquisadores da Universidade Harvard apresentaram uma novidade que pode aproximar a medicina de uma melhor compreensão, e possivelmente do tratamento, dessas doenças. Os cientistas criaram um chip orgânico capaz de revelar alguns dos mecanismos por trás da DII, incluindo, por exemplo, como as alterações hormonais durante a gravidez podem influenciar a doença.
O estudo busca preencher uma das principais lacunas das pesquisas sobre DII. Modelos animais muitas vezes não conseguem reproduzir as respostas imunológicas humanas nem o comportamento dos tecidos, deixando sem resposta questões importantes sobre a doença de Crohn e a colite ulcerativa.
Para enfrentar esse problema, os pesquisadores desenvolveram chips específicos para cada doador, usando células retiradas de áreas inflamadas e saudáveis dos mesmos pacientes com DII. Esses chips combinam as células em um sistema que imita o fluxo sanguíneo, o movimento dos líquidos no intestino e até os movimentos intestinais.
O resultado foi um sistema vivo que permite aos pesquisadores observar, em tempo real, como a inflamação se desenvolve, segundo o Interesting Engineering. A descoberta foi publicada pelos cientistas na revista Nature Biomedical Engineering.
O papel dos fibroblastos e do movimento intestinal na inflamação
Os pesquisadores descobriram que os fibroblastos presentes na parede intestinal funcionam como catalisadores para o desenvolvimento da doença. Os testes mostraram que, quando havia fibroblastos derivados de pacientes com DII no chip, até células epiteliais saudáveis começavam a se comportar como se estivessem doentes.
O estiramento mecânico do tecido agravou ainda mais a inflamação e a fibrose, sugerindo que o próprio movimento do intestino pode influenciar a gravidade da doença.
Gravidez e o risco de tumores: os próximos passos da pesquisa
O estudo também constatou que hormônios produzidos no primeiro trimestre da gravidez intensificaram a inflamação, o que pode ajudar a explicar por que a doença pode voltar a se manifestar ou piorar durante a gestação.
A pesquisa ainda apontou que o comportamento das células pode aumentar o risco de doenças tumorais, mas esse ponto ainda exigirá novos estudos.
Texto traduzido e adaptado do hvg.hu.
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