Ele começou fabricando cofres em uma vila em Ciudad Real; hoje, vende veículos blindados para a África e trabalha para a OTAN

Esta empresa familiar de Ciudad Real desenvolve veículos blindados para as Forças Armadas, a Guarda Civil e a OTAN

Imagens | TSD
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Fabrício Mainenti

Redator

Na indústria militar espanhola, existem nomes consagrados como o veículo blindado ‘Dragón 8x8’ ou o icônico ‘VAMTAC’ da UROVESA, fabricado na Galiza. No entanto, uma das empresas menos conhecidas, mas mais inovadoras do setor, está localizada entre os vinhedos e olivais de Herencia, município de Ciudad Real. Trata-se da TSD, uma empresa que demonstra a capacidade da indústria rural de competir na vanguarda da defesa global.

A história desta empresa, contada em uma reportagem do El Español, ilustra sua evolução singular: tudo começou em 2000, quando Antonio Ramírez fundou uma empresa familiar dedicada à serralheria, reboques e cofres.

Sem qualquer histórico militar na família, a empresa redirecionou sua atividade para o desenvolvimento de veículos especiais para segurança e defesa, alcançando um faturamento anual de cerca de 130 milhões de euros (aproximadamente R$ 767,5 milhões) e gerando mais de 600 empregos na região.

Da oficina do serralheiro ao veículo blindado modular íbero: engenharia pesada no coração de La Mancha

A TSD opera como fabricante de segunda etapa, o que significa que não constrói seus chassis de veículos militares do zero. Em vez disso, utiliza plataformas de marcas líderes como Mercedes-Benz, Renault e Iveco como base para seus desenvolvimentos.

Sua adaptabilidade permite, por exemplo, transformar até 1.500 viaturas para a Polícia Nacional em apenas 45 dias. No entanto, seu produto mais avançado é o Íbero: um veículo tático multifuncional 4x4 protegido pelos rigorosos padrões STANAG da OTAN.

O Íbero se destaca por seu design modular, que permite configurá-lo como ambulância, veículo de reconhecimento, posto de comando ou para proteção contra ameaças químicas e biológicas. Existem três versões: a leve LTV, com cinco toneladas; a multifuncional SMV, com dez toneladas; e a pesada HTV, um colosso de 15 toneladas e quase sete metros de comprimento.

A Unidade Especial de Intervenção da Guarda Civil possui um desses veículos, adquirido por mais de € 850 mil (cerca de R$ 5 milhões), equipado com uma rampa telescópica para missões de assalto rápido.

Mas o sucesso comercial deste veículo blindado já ultrapassou as fronteiras europeias, com quase cem unidades vendidas em mercados como a África (Senegal e Costa do Marfim), onde os veículos já operam em cenários reais e ostentam o selo de aprovação comprovado em combate, enquanto negociações para sua expansão para a América do Sul estão em andamento.

Além da linha militar, a empresa desenvolve vans blindadas para o transporte de fundos para bancos centrais, equipadas com sistemas telemáticos de travamento remoto e tecnologias patenteadas, como uma espuma que se solidifica em segundos para proteger a carga contra tentativas de assalto.

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Este caso reforça a competitividade do setor automotivo de defesa na Espanha, onde grandes projetos como os das fábricas da Santa Bárbara Sistemas coexistem com o dinamismo de empresas familiares especializadas como esta. Em um momento em que a Europa acelera os gastos militares e procura reforçar a sua autonomia estratégica, a fábrica de Herencia consolida a sua posição como um interveniente cada vez mais relevante.

Não surpreende que, como salientou Antonio Ramírez na sua entrevista ao El Español, “a Europa tenha de ser autossuficiente”, uma ideia que se alinha perfeitamente com o papel que empresas como a TSD desempenham na nova estratégia industrial e de defesa do continente.

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