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Nem frio seco e nem clima estável; meteorologista avisa que o El Niño pode acabar com a seca típica de junho e trazer mais chuva para o Sudeste

Fenômeno climático volta a ganhar força no Pacífico e já altera as previsões de tempo para junho

El Nino
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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

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Junho costuma marcar o início do período mais seco do ano em grande parte do Brasil. Em estados do Sudeste e do Centro-Oeste, a redução das chuvas normalmente se intensifica nesta época, enquanto as temperaturas começam a cair com a aproximação do inverno. Em 2026, meteorologistas alertam que esse padrão pode não se repetir.

Segundo previsões climáticas, a formação de um novo El Niño no Oceano Pacífico, combinada ao aquecimento das águas do Atlântico, deve alterar o comportamento tradicional do clima nas próximas semanas. O resultado pode ser um mês de junho mais chuvoso em diversas áreas do Sudeste, além da ocorrência de frio intenso e episódios de geada.

El Niño muda o padrão esperado para junho

De acordo com o meteorologista Celso Luis de Oliveira Filho, da Tempo OK, o comportamento típico do mês deve sofrer alterações por causa das condições oceânicas.

Em anos considerados normais, junho apresenta baixos volumes de chuva em regiões como Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Tocantins, oeste da Bahia e parte do Nordeste. Em municípios dessas áreas, os acumulados ficam abaixo dos 20 milímetros durante todo o mês.

Neste ano, a expectativa é diferente. As projeções indicam que parte do Sudeste deve registrar precipitações acima da média climatológica, especialmente durante a primeira quinzena.

Embora o inverno comece oficialmente apenas em 21 de junho, os efeitos dessa nova configuração climática já começam a aparecer nas previsões para as próximas semanas, trazendo um cenário diferente daquele que costuma marcar o sexto mês do ano.

Primeira metade do mês deve ser mais chuvosa

Modelos meteorológicos apontam que os primeiros dias de junho serão marcados pela atuação de sistemas que favorecem a formação de chuva sobre São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e sul de Minas Gerais.

Embora os volumes não sejam extremos, eles devem ficar acima do padrão normalmente observado para esta época do ano.

Chuva em São Paulo Chuva deve ficar acima da média nas primeiras semanas de junho. Foto: Shutterstock

Segunda quinzena terá avanço do frio

A partir da segunda metade do mês, a tendência é de redução das chuvas no Sudeste e fortalecimento das massas de ar frio.

O cenário lembra o observado em maio, quando diversas regiões registraram quedas acentuadas de temperatura. A previsão indica que novas massas de ar polar devem atingir o Sul, o Sudeste e parte do Centro-Oeste.

Geadas entram no radar para São Paulo e Minas Gerais

Com o avanço das massas de ar frio, cresce também a possibilidade de formação de geadas em áreas mais elevadas do Sudeste. As regiões da Serra da Mantiqueira, na divisa entre São Paulo e Minas Gerais, aparecem entre as mais propensas ao fenômeno. 

Algumas localidades podem registrar temperaturas inferiores a 10°C durante as madrugadas mais frias. Partes do interior paulista também estão sob monitoramento para episódios pontuais de geada ao longo do mês.

2608508191 Há previsão de frio e geadas para o fim do mês. Foto: Shutterstock

El Niño preocupa meteorologistas para os próximos meses

Além dos impactos imediatos em junho, especialistas acompanham com atenção a evolução do El Niño para o restante do ano. As projeções indicam que o fenômeno pode ganhar intensidade ao longo dos próximos meses e atingir níveis classificados entre fortes e muito fortes em 2026.

Historicamente, episódios mais intensos de El Niño costumam provocar mudanças importantes no regime de chuvas em várias regiões do Brasil, aumentando os volumes no Sul e alterando os padrões de temperatura em grande parte do país.

Foto de capa: Shutterstock

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