Precisaríamos detonar o arsenal nuclear da Terra 130 vezes para liberar a energia que criou os grandes cânions da Lua

As duas faixas causadas pelo impacto se formaram em cerca de 10 minutos e têm uma profundidade maior que a do Gran Canyon dos EUA

Cratera
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

2015 publicaciones de Victor Bianchin

A Lua tem seu próprio “Gran Canyon” e em dose dupla. Só que esses dois cânions não foram formados pela lenta erosão de um rio como aconteceu no estado do Colorado: 15 minutos de destruição bastaram para deixar essas duas enormes cicatrizes na superfície lunar.

Um estudo de 2025 analisou em detalhe duas enormes faixas geológicas localizadas nas proximidades do polo sul da Lua. A análise determinou, entre outras conclusões, que elas foram formadas pelo impacto de um asteroide ou cometa e que o choque foi tão intenso que esses cânions se formaram em menos de 15 minutos de destruição.

Seus nomes são Vale de Schrödinger e Vale de Planck e eles se caracterizam por duas enormes faixas geológicas que se irradiam em linha reta a partir de um ponto localizado na bacia de Schrödinger, perto do polo sul lunar, não muito longe do local escolhido pela NASA para o retorno dos seres humanos à Lua.

O estudo nos trouxe novos dados sobre a magnitude e as características morfológicas dessas duas feridas na superfície do satélite. Esses dois cânions têm, respectivamente, 270 e 280 quilômetros de comprimento, e 2,7 e 3,5 quilômetros de profundidade.

Uma força imensa

Além de analisar as características dessas duas faixas, o estudo tentou entender o impacto que causou sua existência. Ao estudar a forma como elas foram escavadas, os pesquisadores determinaram que o processo durou entre 4,9 e 15 minutos em um dos casos e entre 5,2 e 15,4 minutos no outro. Ou seja, foram necessários apenas cerca de 10 minutos para que o impacto arrastasse toneladas e toneladas de rocha lunar.

O impacto responsável teria tido uma força descomunal. Segundo explica a equipe responsável pelo estudo, a energia necessária para produzir esses cânions teria sido 700 vezes maior que a energia liberada pelos testes nucleares da China, dos EUA e da URSS e 130 vezes superior à energia contida no arsenal nuclear mundial.

Os detalhes do estudo, incluindo esse último dado, foram publicados em um artigo na revista Nature Communications.

O impacto teria ocorrido bilhões de anos antes daquele que causou, na Terra, a extinção dos dinossauros. Ainda assim, a equipe responsável pelo estudo sustenta em seu artigo que esse impacto lunar é a “melhor expressão análoga de superfície” da cratera de Chicxulub.

Imagem | NASA\SVS\Ernie T. Wright

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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