Alemanha esconde um choque financeiro que obriga os moradores a pagar impostos pelos cães e até pela televisão

Além de impostos tradicionais, moradores pagam taxas específicas para ter cachorro, financiar emissoras públicas e contribuir com igrejas reconhecidas pelo Estado

Alemanha
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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

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Para muitos, morar fora do país costuma ser associado a salários elevados, infraestrutura impecável e alta qualidade de vida. O que nem sempre aparece nas comparações são tributos e taxas que fazem parte da rotina dos moradores e ajudam a financiar os serviços públicos do país.

Na Alemanha, por exemplo, existem algumas cobranças que parecem incomuns para quem vive no Brasil, como um imposto anual sobre cães, uma contribuição obrigatória para rádio e televisão pública e, em alguns casos, até um imposto religioso descontado diretamente da folha de pagamento.

Imposto sobre cães varia de cidade para cidade

Uma das cobranças mais conhecidas da Alemanha é a chamada Hundesteuer, ou "taxa do cachorro". Quem possui um cão precisa registrar o animal junto às autoridades locais e pagar um imposto anual cuja cobrança varia conforme a cidade. 

Em algumas regiões, o valor pode ultrapassar algumas centenas de euros por ano. Além da arrecadação, as prefeituras utilizam o cadastro para controlar a população canina, monitorar vacinação e financiar serviços relacionados à limpeza urbana e manutenção de espaços públicos.

A regra vale para a maior parte do país e pode ficar ainda mais cara para determinadas raças consideradas potencialmente perigosas.

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Moradores pagam uma taxa mesmo sem assistir TV

Conhecida como Rundfunkbeitrag, a taxa de €18,94 é cobrada por residência para financiar o sistema público de rádio e televisão do país. O detalhe é que o pagamento obrigatório não depende de você possuir aparelhos ou consumir os conteúdos produzidos — basta morar no imóvel para a cobrança ser aplicada. Segundo o governo alemão, esse modelo serve para garantir a independência financeira dos canais públicos e assegurar uma programação voltada à informação, cultura e educação.

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Imposto religioso também pode aparecer no salário

Na Alemanha, membros registrados de determinadas igrejas reconhecidas oficialmente podem ter um percentual adicional descontado sobre o imposto de renda. Em muitos estados alemães, o imposto eclesiástico, ou Kirchensteuer corresponde a cerca de 8% ou 9% do valor do imposto já devido ao governo.

O dinheiro recolhido é repassado às instituições religiosas para financiar suas atividades. Quem não deseja pagar a contribuição pode formalizar sua saída da igreja perante as autoridades locais, procedimento relativamente comum entre os alemães nos últimos anos.

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Taxas ajudam a sustentar a estrutura e serviços públicos

Embora essas cobranças possam parecer exageradas à primeira vista, elas fazem parte do modelo de financiamento adotado pela Alemanha para sustentar diversos serviços públicos e estruturas coletivas.

O país mantém elevados padrões de infraestrutura urbana, transporte, limpeza, parques públicos e sistemas de comunicação financiados, em parte, por esse conjunto de tributos.

Por isso, muitos moradores enxergam essas taxas como parte do custo de viver em um país que oferece serviços amplamente estruturados, ainda que elas frequentemente gerem debates sobre carga tributária e custo de vida.

A percepção de que viver na Europa é necessariamente mais barato nem sempre corresponde à realidade. Em países como a Alemanha, salários maiores costumam vir acompanhados de uma carga tributária significativa e de diversas contribuições obrigatórias que não existem em muitos outros lugares.

Foto de capa: Shutterstock

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