Steam Machine é adiada e Valve já avisa: vai ficar mais cara por causa da IA

A IA vai mudar a indústria dos videogames, mas provavelmente não do jeito que imaginávamos

Imagem: Valve
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Os planos da Valve para revolucionar os videogames de mesa esbarram na realidade do mercado de componentes. A empresa confirmou o adiamento do Steam Machine, do Steam Frame e do Steam Controller, inicialmente previstos para o primeiro trimestre de 2026, devido à escassez global de memória RAM e armazenamento. O anúncio vem acompanhado de um alerta: os preços divulgados inicialmente serão reajustados para cima, o que coloca em risco a estratégia de competir diretamente com os consoles tradicionais.

A apresentação oficial do hardware da Valve aconteceu em novembro de 2025, quando a empresa revelou simultaneamente três dispositivos destinados a expandir seu ecossistema para além do PC tradicional: o console Steam Machine, o visor de realidade virtual Steam Frame e uma nova versão do Steam Controller. Naquele momento, as informações fornecidas à imprensa apontavam para um lançamento no primeiro trimestre de 2026.

No entanto, a Valve teve de recalibrar suas expectativas. Segundo o novo comunicado, a empresa reconhece que esperava anunciar preços definitivos e datas de lançamento específicas a essa altura, mas as circunstâncias do mercado de componentes impediram isso. “A disponibilidade limitada e os preços crescentes desses componentes críticos significam que precisamos revisar nosso calendário exato de envios e nossos preços”, diz.

O novo prazo agora se estende para a primeira metade de 2026, uma formulação deliberadamente vaga que contrasta com a precisão inicial. A Valve ressalta que mantém seu objetivo de distribuir os três produtos dentro desse período, mas alerta para a volatilidade do cenário: é preciso estabelecer preços e datas que possam ser anunciados com confiança, já que as circunstâncias estão sujeitas a mudar com rapidez.

A crise da RAM

O problema afeta toda a indústria tecnológica. Os fabricantes de memória vêm registrando um aumento de preços sem precedentes: segundo dados do mercado de componentes, o custo dos módulos de RAM se multiplicou por três ou até por quatro desde o início de 2026. Essa escalada responde a uma reorientação estratégica dos principais produtores, como Samsung, SK Hynix e Micron, que priorizam a fabricação de memória de alto desempenho destinada a servidores de inteligência artificial, um segmento que oferece margens de lucro superiores.

Já em novembro, quando a Valve apresentou seu hardware, os sinais de alerta eram evidentes. Na época, a empresa reconhecia que definir preços era algo complexo porque “o mercado está um pouco estranho” e “os preços da memória estão subindo enquanto falamos”. O que parecia uma turbulência temporária se consolidou como uma tendência estrutural. É uma crise que remete à escassez de semicondutores que sacudiu a indústria entre 2020 e 2022, provocando atrasos no lançamento de consoles e aumentos generalizados de preços em placas de vídeo.

O fenômeno atual apresenta, no entanto, uma particularidade: não se trata de interrupções na cadeia de suprimentos, mas de uma decisão deliberada dos fabricantes de redirecionar a capacidade produtiva para o lucrativo mercado de IA, deixando a indústria de games em segundo plano.

O que se sabe sobre o hardware da máquina

A Steam Machine, o produto estrela dessa trilogia, vai funcionar com processador AMD, como confirmou a CEO da empresa de semicondutores, Lisa Su, durante a apresentação de resultados trimestrais: “Do ponto de vista de produto, a Valve está no caminho para começar a enviar sua Steam Machine com tecnologia AMD no início deste ano”. Aquela declaração, que na época soava tranquilizadora, agora ganha um tom irônico: o hardware está pronto, mas o contexto econômico não.

Durante as sessões prévias com a imprensa especializada, a empresa indicou que a Steam Machine ficaria “próxima ao nível de entrada do espaço PC”, uma formulação que sugeria que ela iria competir diretamente com o PlayStation 5 e o Xbox Series X|S em termos de preço, mais do que com configurações de PC de alto desempenho.

Essa abordagem entra em choque direto com a realidade atual do mercado de componentes: competir com consoles implica trabalhar com margens extremamente apertadas em um ecossistema fechado, no qual a Sony e a Microsoft podem assumir perdas iniciais. A Valve não tem essa flexibilidade e o encarecimento da memória e do armazenamento ameaça colocar seus produtos em uma faixa de preço que os afastaria do consumidor médio.

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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