Dubai? Abu Dhabi? Não: um dos maiores e mais estranhos aeroportos do mundo está sendo construído na Etiópia

País já iniciou a construção de um novo aeroporto próximo a Adis Abeba por 12,5 bilhões de dólares

Aeroporto na Etiópia / Imagem: Zaha Hadid Architects
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Em Bishoftu, a cerca de 40–45 quilômetros de Adis Abeba, capital da Etiópia, o país já está limpando o terreno para um projeto que mira alto em todos os sentidos. O Ethiopian Group iniciou oficialmente as obras de um novo aeroporto que, segundo o primeiro-ministro Abiy Ahmed Ali, será “o maior projeto de infraestrutura de aviação da história da África” quando estiver concluído.

Mas o tamanho não é a única mensagem: o escritório Zaha Hadid Architects propõe um terminal gigantesco com formato aproximado de X, uma assinatura visual que também responde a uma ideia funcional: tornar mais intuitivo o percurso do passageiro dentro de um complexo pensado para crescer por fases.

O plano chega com orçamento, prazos e um desenho operacional definido. A Reuters situa o projeto em 12,5 bilhões de dólares e confirma que a Ethiopian já iniciou oficialmente a construção, com a ideia de finalizá-la em 2030. O grupo por trás da companhia aérea estatal não apenas impulsiona a obra: também será responsável pelo projeto de um complexo previsto com quatro pistas, um detalhe que antecipa a escala operacional que se busca alcançar.

Quando o formato também é logístico

O desenho em X do terminal funciona como uma declaração estética, sim, mas o estúdio de arquitetura insiste que também é uma decisão de circulação. A empresa explica que os portões se conectam a um eixo central que percorre o edifício e que essa organização pretende reduzir as distâncias de transferência, algo fundamental em um aeroporto que aspira a gerenciar grandes volumes de passageiros. Cada portão terá uma identidade própria em materiais e paleta de cores para refletir a diversidade do país.

A Reuters aponta que o aeroporto foi concebido com capacidade para 110 milhões de passageiros por ano e espaço para estacionar 270 aviões, um salto que multiplica por mais de quatro a capacidade do principal aeroporto atual do país. Em uma primeira fase prevista para 2030, haverá um terminal de 660.000 metros quadrados e duas pistas, pensado para atender 60 milhões de passageiros por ano.

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Esse plano não nasce apenas de uma ambição de imagem ou de liderança regional, mas também de uma necessidade operacional. Acontece que o principal aeroporto do país deve atingir seus limites com o tráfego atual nos próximos dois ou três anos. Esse dado explica por que a Etiópia não está falando de retoques ou ampliações, mas de erguer um novo polo aeroportuário relativamente perto da capital. Para a Ethiopian Airlines, considerada a maior operadora africana, a equação é tão simples quanto contundente: sem capacidade física, não há como sustentar o negócio.

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A Zaha Hadid Architects sustenta que o projeto busca a certificação LEED Gold e que parte da estratégia passa por recursos passivos: ventilação natural, sombreamento e espaços semiabertos que aproveitem as condições climáticas da região. A isso se soma um conjunto de medidas mais industriais, desde painéis solares para produzir energia no próprio complexo até uma gestão da água pensada para uma infraestrutura desse porte.

O projeto prevê ligar o novo aeroporto a Adis Abeba e ao aeroporto de Bole por meio de uma linha de alta velocidade, um elemento-chave se a infraestrutura quiser operar como um sistema integrado e não como uma peça isolada. Estamos diante de um desenho pensado para um alto volume de conexões, com a previsão de que 80% dos viajantes estejam em trânsito sem sair do aeroporto. Por isso, são previstos serviços específicos para longas escalas, desde um hotel na área restrita até oferta de alimentação e espaços externos com vegetação local.

Imagens | Zaha Hadid Architects

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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