Quando pensamos em robôs humanoides, a imagem que costuma vir à cabeça é a de máquinas capazes de dar saltos impossíveis ou executar acrobacias perfeitamente calculadas, como as que a Boston Dynamics popularizou com o Atlas. No extremo oposto estão os designs voltados para tarefas repetitivas e ambientes controlados, como o Optimus, da Tesla.
É difícil visualizar um robô como atleta. No entanto, essa fronteira começa a se mover com propostas que já não buscam apenas equilíbrio ou destreza, mas um desempenho próprio do atletismo humano.
Estamos falando de Bolt, o novo robô humanóide apresentado pela empresa chinesa MirrorMe Technology, que afirma ter alcançado uma velocidade máxima de 10 metros por segundo durante testes em condições reais. A empresa sustenta que esta é a primeira vez que um robô em tamanho real atinge esse registro fora de um laboratório, um marco que, se confirmado, deslocaria a discussão da demonstração controlada para o desempenho em ambientes mais próximos do mundo físico.
Para situar a magnitude do dado como referência histórica, Usain Bolt atingiu 9,58 segundos nos 100 metros durante o Mundial de Berlim de 2009, uma marca que, naquele momento, definiu o teto do atletismo de velocidade.
Correr de verdade
Alcançar altas velocidades em um humanoide exige resolver um dos maiores desafios da robótica bípede: manter o equilíbrio dinâmico enquanto o corpo suporta impactos repetidos e mudanças constantes de apoio. Nos humanos, essa coordenação entre percepção, controle motor e resposta acontece de forma quase automática, mas, em uma máquina, isso obriga a redesenhar articulações, otimizar a entrega de energia e ajustar a estabilidade em tempo real. A MirrorMe afirma que o Bolt incorpora novas configurações articulares e um sistema de potência otimizado para se aproximar de padrões de movimento humanos.
A empresa já havia chamado a atenção com o Black Panther II, um robô voltado para pesquisa que percorreu 100 metros em 13,17 segundos durante uma transmissão televisiva na China. Nessa mesma demonstração, sua velocidade máxima foi situada em torno de 9,7 metros por segundo. O Bolt surge, assim, como o próximo passo lógico dentro dessa busca por um desempenho físico cada vez maior.
Robôs como esportistas
O avanço do Bolt também se insere em um contexto mais amplo em que a China está explorando a dimensão atlética da robótica humanoide. Nos últimos anos, surgiram demonstrações públicas de robôs capazes de lutar em modalidades como o kickboxing, além de torneios virais que servem de vitrine para medir agilidade, equilíbrio e coordenação. Esse ecossistema sugere que o desempenho físico começa a se tornar uma métrica relevante para além da pesquisa pura.
O futuro. Para além do recorde que a empresa afirma ter alcançado, a MirrorMe imagina aplicações concretas para esse tipo de humanoide de alto desempenho. Entre elas, a possibilidade de que atuem como companheiros de treino para atletas humanos, uma ideia que aponta tanto para o esporte profissional quanto para a pesquisa em biomecânica e movimento. No entanto, como acontece com muitos anúncios em robótica avançada, o verdadeiro alcance dependerá de testes sustentados ao longo do tempo e de cenários de uso reais.
Imagens | MirrorMe
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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