Em 2024, em Chifeng, no norte da China, uma ideia relativamente simples trouxe resultados satisfatórios mentes bom, chamando a atenção de pesquisadores, autoridades ambientais e programas de reflorestamento. O responsável é Jia Mingxuan, um adolescente chinês de apenas 14 anos que desenvolveu um sistema que condensa a umidade do ar e irriga mudas automaticamente, sem eletricidade, bombas ou reservatórios.
Usando tubos de aço e garrafas plásticas reutilizadas, o jdoelscente criou um dispositivo que aproveita o gradiente térmico entre o solo e o ar para produzir pequenas quantidades de água, suficientes para aumentar a sobrevivência de árvores recém-plantadas em áreas secas e ameaçadas pela desertificação. A invenção surgiu no contexto do programa Grande Muralha Verde do Norte da China, o maior projeto de reflorestamento do mundo.
Ideia surgiu de uma observação de dentro de casa e deu origem a um sistema capaz de irrigar árvores sem eletricidade ou infraestrutura complexa
A ideia que deu origem ao projeto não nasceu em um laboratório, mas dentro de casa. Jia percebeu que em dias frios, gotas de água se formavam sobre superfícies mais geladas da cozinha, resultado da condensação do vapor presente no ar. A partir dessa observação, ele imaginou se o mesmo princípio poderia ser usado na natureza, em regiões secas, para ajudar mudas recém-plantadas a sobreviverem aos primeiros meses, o período mais crítico para o reflorestamento.
O dispositivo criado pelo adolescente funciona enterrando parte de um tubo de aço no solo, enquanto a extremidade superior permanece exposta ao vento. A diferença de temperatura entre a área subterrânea e o ar externo cria um ambiente favorável para a condensação da umidade atmosférica. Essa água escorre naturalmente pelo interior do tubo e é direcionada diretamente à raiz da árvore, sem desperdício. Para favorecer a circulação de ar, uma tampa permite que o vento atravesse o sistema, mesmo em ambientes considerados secos. Para testar o protótipo, Jia percorreu cerca de 30 quilômetros repetidas vezes, desenterrando o equipamento, medindo a umidade acumulada e ajustando o design.
A invenção surgiu em uma das regiões mais frágeis da China e pode ajudar a reduzir perdas no maior projeto de reflorestamento do mundo
Jia Mingxuan recebeu prêmio pela invenção. Créditos: Xinhua.
A cidade de Chifeng faz parte do projeto da Grande Muralha Verde, uma iniciativa desenvolvida para conter o avanço da desertificação no norte da China. Segundo autoridades locais envolvidas no programa de reflorestamento, nos anos 1960, a regiçao recebia cerca de 380 milímetros de chuva por ano, um volume muito baixo, o que favorecia a formação de dunas móveis e extensas áreas de solo exposto. Hoje, após intervenção ambiental, a cobertura florestal ultrapassa 40%, mas o equilíbrio florestal ainda é sensível e vulnerável, exigindo soluções contínuas para evitar o avanço da desertificação.
Mesmo com avanços recentes, como a combinação entre reflorestamento e instalações fotovoltaicas para controle de areia, milhares de mudas continuam morrendo por falta de irrigação adequada, especialmente em áreas remotas. A irrigação manual é lenta, cara e difícil de manter, enquanto os ventos fortes desestabilizam raízes jovens.
Foi observando esse problema que Jia percebeu que aumentar a taxa de sobrevivência das árvores já plantadas pode ser mais eficiente do que plantar cada vez mais mudas. O sistema criado pelo jovem é perfeito para resolver essa problemática, funcionando como uma solução complementar de baixo custo, ideal para locais onde sensores, redes elétricas ou infraestrutura digital não chegam.
O dispositivo criado fez com que o adolescente recebesse prêmios e reconhecimento local. Além disso, a genialidade do projeto também chamou a atenção de especialistas em controle de areia, que veem na iniciativa um sinal de transição geracional. Atualmente, Jia colabora com pesquisadores em Xangai para aprimorar o design, testar materiais alternativos, como bioplásticos e ligas leves, e avaliar a viabilidade de produção em larga escala sem aumentar o impacto ambiental.
Além da China, pesquisadores ligados a programas de combate à desertificação apontam que a tecnologia pode ser adaptada para outras regiões semiáridas, como o Sahel africano ou áreas do sul da Europa, onde soluções simples, sem dependência de energia elétrica, podem fazer diferença nos primeiros estágios do reflorestamento.
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