Europa começou a se tornar tecnologicamente e militarmente independente dos EUA: primeiro passo é substituir Starlink

Em segundo plano, uma corrida: quem controlará as futuras infraestruturas críticas de comunicação militar da Europa?

Imagem | Comando das Forças de Apoio da Ucrânia
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PH Mota

Redator
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PH Mota

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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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Durante décadas, a segurança europeia se baseou em infraestruturas críticas controladas pelos Estados Unidos, mas, com o retorno da guerra ao continente e as comunicações espaciais se tornando um recurso militar crucial, a Alemanha começa a perceber que não pode se dar ao luxo de depender de Elon Musk ou de Washington para algo tão básico quanto se comunicar e combater em caso de conflito.

"Starlink militar"

A Rheinmetall e a OHB estão em negociações preliminares para apresentar uma proposta conjunta para a criação de uma rede de comunicações via satélite em órbita baixa para a Bundeswehr (Forças Armadas Alemãs), um sistema que em Berlim já é abertamente descrito como uma "Starlink para o exército alemão".

A iniciativa visa capturar parte do ambicioso plano da Alemanha de investir 35 bilhões de euros em tecnologia espacial militar, com o objetivo de fornecer ao país uma infraestrutura segura e soberana, projetada especificamente para uso militar, reduzindo a dependência de serviços americanos como a Starlink, da SpaceX.

Soberania tecnológica

O contexto do projeto será um dos principais temas de 2026, sendo tanto estratégico quanto político, visto que a guerra na Ucrânia demonstrou o quanto as comunicações via satélite em órbita baixa podem ser decisivas quando as redes terrestres são destruídas ou degradadas.

Embora a Starlink (e sua versão militar, Starshield) tenha se tornado um ativo fundamental para Kiev, muitos países europeus estão receosos em basear capacidades críticas em um fornecedor privado estrangeiro, o que acelerou os planos de construção de redes nacionais ou europeias sob controle estatal.

Peso da Alemanha

Com este programa, a Alemanha pretende se tornar o terceiro maior investidor mundial em tecnologia espacial, atrás apenas dos Estados Unidos e da China, segundo a consultoria Novaspace.

As autoridades militares alemãs já definiram as especificações técnicas e estão preparando a licitação, priorizando a cobertura do flanco leste da OTAN, onde Berlim mantém uma brigada permanente de 5.000 soldados na Lituânia como parte de seu reforço defensivo.

De blindados ao espaço

Tradicionalmente associada a tanques, artilharia e munições, a Rheinmetall está expandindo rapidamente sua presença em novos domínios em meio ao rearme alemão.

No final do ano passado, a OHB conquistou seu primeiro grande contrato espacial, avaliado em até 2 bilhões de euros, para desenvolver, em conjunto com a Iceye, uma constelação de satélites de radar capazes de operar à noite e em condições climáticas adversas. Isso a coloca em uma posição sólida para agora aspirar a um sistema de comunicações militares em órbita baixa.

OHB e a oportunidade

Para a OHB, terceira maior fabricante de satélites da Europa e fornecedora do sistema de navegação Galileo, o projeto representa uma oportunidade crucial para fortalecer seus negócios militares. A empresa enfrenta a possível criação de uma gigante espacial europeia como resultado da fusão das divisões Airbus, Thales e Leonardo, uma operação que seu CEO considera potencialmente anticompetitiva e que poderia colocar a OHB em desvantagem caso não expanda sua escala e capacidades.

Mercado aquecido

O simples anúncio das negociações fez com que as ações da OHB disparassem, refletindo o quanto o setor percebe os gastos militares alemães no setor espacial como um catalisador de oportunidades.

Dito isso, o projeto ainda está em fase inicial, sem comentários oficiais de empresas ou do Ministério da Defesa, e faz parte de uma crescente competição por contratos multimilionários que definirão quem controlará a futura infraestrutura crítica de comunicações militares na Europa.

Imagem | Comando das Forças de Apoio da Ucrânia

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