O vício em apostas é um problema sério, reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como um transtorno mental. Ele é caracterizado pela perda de controle sobre o jogo e necessidade de apostas constantes e afeta milhões de brasileiros. Para se ter ideia do tamanho do problema, uma pesquisa realizada pelo Departamento de Psiquiatria da USP, em 2024, revelou que aproximadamente 2 milhões de brasileiros enfrentam esse vício.
Diante disso, o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer teleatendimento gratuito em saúde mental para adultos com problemas relacionados a jogos e apostas. O serviço foi anunciado nesta terça-feira (3/3) pelo Ministério da Saúde e será acessado por meio do aplicativo Meu SUS Digital. A expectativa é realizar cerca de 600 atendimentos por mês, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, com investimento de R$2,5 milhões via Proadi-SUS.
A proposta é oferecer um canal reservado, acessível e digital para quem dificilmente procuraria ajuda presencial por vergonha, medo de julgamento ou dificuldade em admitir o problema.
Atendimento online pelo SUS quer reduzir barreiras e ampliar acesso a tratamentos
Os teleatendimentos na área médica surgiram para facilitar os cuidados de saúde, tornando-os mais rápidos, seguros e abrangentes. No Brasil, praticamente todas as especialidades médicas são permitidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) para teleatendimento, seja para anamnese, emissão de receitas, pedidos de exames e acompanhamento.
No caso do SUS, o teleatendimento funciona pelo aplicativo Meu SUS Digital, oferecendo consultas gratuitas mediadas por vídeo, chat ou áudio. A equipe é multiprofissional, conta com médicos, psicólogos e até nutricionistas, que realizam a triagem, acompanhamento de doenças e especialidades. O acesso exige cadastro com login gov.br, permitindo agendamento rápido, renovação de receitas e encaminhamento para o atendimento presencial caso necessário.
Para acessar o teleatendimento, oferecido para maiores de 18 anos, tratarem , basta seguir o passo a passo:
- Faça o login no aplicativo Meu SUS Digital com a conta gov.br;
- Acesse a aba “Miniapps”;
- Seleciona a opção sobre problemas com jogos de apostas..
Depois dessa etapa, o sistema aplica um autoteste validado no Brasil, com base científica, para identificar o nível de risco. Se o resultado indicar risco moderado ou alto, o encaminhamento ao teleatendimento é automático. Em casos leves, o aplicativo orienta a busca por atendimento presencial na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que inclui os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e Unidades Básicas de Saúde.
As consultas são feitas por vídeo, duram cerca de 45 minutos e podem integrar ciclos de até 13 sessões por paciente, individualmente ou com a participação de familiares. O atendimento é conduzido por uma equipe multiprofissional, com psicólogos, terapeutas ocupacionais e suporte de psiquiatra quando necessário. Se houver necessidade, o paciente pode ser encaminhado para acompanhamento presencial.
Vício em apostas é transtorno mental e virou questão de saúde pública
A oferta do teleatendimento pelo SUS está totalmente ligada ao avanço das apostas online e ao aumento de casos de comportamento compulsivo no país. O vício em jogos, também chamado de “transtorno do jogo”, não é apenas falta de disciplina financeira. Trata-se de uma condição marcada por perda de controle, necessidade crescente de apostar e continuidade do comportamento mesmo diante de prejuízos pessoais, familiares ou econômicos.
Com a explosão das apostas online, o governo federal passou a estruturar uma resposta mais ampla para o problema. Além do teleatendimento pelo SUS, foram criadas iniciativas como a plataforma de Autoexclusão Centralizada, que permite bloquear o acesso a sites autorizados de apostas, e o Observatório Saúde Brasil de Apostas, voltado à integração de dados entre diferentes áreas do governo. A aposta no formato digital, agora, é vista como uma estratégia para alcançar um público que não quer se expor.
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