Talvez não tão conhecida quanto Teotihuacan, Chichen Itza ou mesmo sua vizinha Palenque, Toniná é um dos maiores tesouros arqueológicos do México. A necrópole atingiu seu auge entre 600 e 900 d.C. e se preserva hoje como um dos exemplos mais fascinantes da arquitetura maia e do planejamento urbano pré-hispânico.
De fato, é coroada por uma estrutura piramidal única na região, superando em altura até mesmo a famosa Pirâmide do Sol em Teotihuacan.
Portanto, para garantir sua preservação, o governo mexicano acaba de tomar uma decisão radical: expropriar 9,2 hectares da área circundante, colocando-a sob o controle direto do Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH).
O que aconteceu?
O México acaba de demonstrar sua disposição em usar decretos de expropriação para proteger seu patrimônio. E o fez de forma prática. O governo liderado por Claudia Sheinbaum anunciou que o Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH) assumiu a posse de um terreno de 9,22 hectares próximo ao sítio arqueológico de Toniná, no estado de Chiapas.
O que chama a atenção é como adquiriram essa área, que até recentemente era de propriedade privada. A transferência foi viabilizada por um decreto que autorizou a venda ao INAH. "Essa ação decorre de um interesse público, promovido em dezembro de 2025 pelo Ministério da Cultura", explicaram as autoridades.
Por que fizeram isso?
O objetivo do governo é duplo: facilitar a conservação e a pesquisa do sítio. Nas palavras do próprio INAH, a ideia é "garantir condições ótimas" para o sítio arqueológico. "Toniná é parte essencial da história viva de Chiapas e do México. Este decreto protege um patrimônio nacional e contribui para o exercício dos direitos culturais por meio do acesso ao conhecimento e à memória histórica", explicou Claudia Curiel de Icaza, Secretária de Cultura.
O diretor insiste que, com essa medida, o Estado fortalece sua capacidade de "preservar o patrimônio, assegurar sua gestão com critérios técnicos e apoiar os esforços de conservação, restauração e pesquisa". A partir de agora, o INAH ampliará sua capacidade de supervisionar, cuidar e estudar a antiga cidade maia.
Por que isso é importante?
Por vários motivos. Além do marco legal empregado e de suas vantagens para a proteção, conservação e estudo do sítio, a medida é significativa porque o México quer utilizá-la para promover Toniná.
"Um programa integrado de reativação será implementado na zona arqueológica, criando um caminho estruturado para sua eventual reabertura", afirma o INAH. De fato, um dos objetivos é promover o "turismo responsável".
Toniná é realmente tão importante?
Sim. E essa é mais uma razão pela qual a recuperação dos nove hectares gerou tanta expectativa. Situada na fronteira entre as terras altas e baixas maias, a antiga Toniná deixou para trás uma fascinante acrópole, com plataformas sobrepostas e uma estrutura piramidal que os arqueólogos consideram "única" no mundo maia. De fato, ela supera em altura a famosa Pirâmide do Sol em Teotihuacan, que atinge 65 metros.
"A riqueza desta zona arqueológica a torna comparável a outros grandes sítios em Chiapas, como Palenque. Seu apogeu durou de 600 a 900 d.C., dentro do período Clássico, e foi o último testemunho do declínio do chamado Antigo Império Maia", explica o INAH (Instituto Nacional de Antropologia e História).
O governante mais famoso de sua história foi Tzots Choj ("Morcego-Tigre"), e seu maior tesouro arqueológico é a acrópole e a praça central. Ali, encontram-se uma escadaria de 260 degraus, a enorme estrutura piramidal e um labirinto de templos, palácios e calçadas. Os especialistas também localizaram um altar para sacrifícios e áreas para jogar bola.
Há quanto tempo sabemos sobre Toniná?
A primeira pessoa a nos falar sobre Toniná foi o Frei Jacinto Garrido, no século XVII, mas o sítio arqueológico continua a fascinar os especialistas desde então. Expedições ocorreram ao longo do século XIX e as escavações se intensificaram durante o século XX (especialmente entre as décadas de 1970 e 1980).
Foi então que estudos e trabalhos de conservação foram realizados pelo INAH, o que permitiu que seus segredos fossem revelados. Apesar de anos de estudo, o instituto arqueológico está confiante de que ainda há surpresas por vir: "Toniná ainda guarda muitos segredos que serão descobertos".
Imagens | Wikipedia e SC (INAH)
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