Mais turistas estão morrendo nos Alpes Italianos e a culpa é do ChatGPT

De acordo com os socorristas, a média é de 3 mortes de montanhistas por dia

Paisagem nos Alpes Italianos. Créditos: banco de imagens
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Formado por um conjunto de montanhas que cobrem o norte da Itália, os Alpes Italianos são o destino perfeito para os amantes da natureza e alpinistas. No entanto, nos últimos dois meses, a morte de mais de 100 excursionistas na região tem deixado as autoridades preocupadas. Mas o que mais chama atenção nessa tragédia, surpreendentemente, é que parte da responsabilidade recai sobre o uso indiscriminado da inteligência artificial.

O ChatGPT, ferramenta desenvolvida pela OpenAI para simplificar tarefas, como resumir textos, planejar atividades e até conduzir conversas, está fornecendo dicas de trilhas e rotas aos usuários que perguntam sobre os Alpes Italianos. O grande problema é que confiar cegamente nessas orientações pode ser fatal, especialmente para turistas inexperientes no alpinismo. A seguir, entenda como o ChatGPT pode estar colocando a vida de pessoas em risco:

Mais de 100 turistas morreram nos Alpes Italianos em dois meses

Desde 1° de junho deste ano, mais de 100 excursionistas perderam a vida nos Alpes Italianos  por pura irresponsabilidade. A informação foi compartilhada pelo Corpo Nazionale Soccorso Alpino e Speleologico (Corpo Nacional de Socorro Alpino e Espeleológico, em tradução livre) e tem preocupado autoridades e guias de montanha. De acordo com o  CNSAS, alguns fatores têm contribuido para esse cenário, como a combinação de redes sociais, a inexperiência e informações fornecidas por inteligência artificial.

Segundo os especialistas, a maioria dos acidentes envolve escorregões em terrenos íngremes, falta de preparo físico, ausência de equipamentos adequados e, em muitos casos, decisões arriscadas tomadas por turistas que subestimam os perigos das trilhas alpinas. Há relatos, por exemplo, de pessoas tentando escalar picos com tênis comuns ou iniciando percursos sem capacete nem cinto de segurança.

Os Alpes Italianos são uma região perigosa

Apesar de ser um ponto turístico com uma paisagem belíssima, os Alpes Italianos escondem riscos gravíssimos. Mudanças climáticas rápidas, por exemplo, podem transformar a trilha em uma situação de risco em poucos minutos. Isso porque neve, granizo ou tempestades fortes podem atingir os montanhistas em qualquer época do ano.

Além disso, o aquecimento global tem agravado o problema: o derretimento de geleiras e do permafrost aumenta as chances de deslizamentos e quedas de rochas. O exemplo mais trágico ocorreu em 2022, quando o colapso da geleira Marmolada matou 11 pessoas. No entanto, o que torna o cenário ainda mais preocupante é que muitas vezes os turistas fazem trilhas arriscadas como se fossem um simples passeio, ignorando placas de alerta, subindo sem guias e sem o preparo necessário.

Entenda o que está por trás da morte dos montanhistas

Mas por que tantas pessoas estão morrendo nos Alpes Italianos? De acordo com especialistas, o aumento das mortes é resultado de uma combinação perigosa, como mudanças climáticas, excesso de confiança, influência das redes sociais e tecnologias.

Muitos turistas chegam aos Alpes despreparados, confiando apenas em informações que encontram online, inclusive fornecidas por chatbots de inteligência artificial, como o ChatGPT. Alguns excursionistas já relataram ter seguido rotas sugeridas pela ferramenta que, na prática, não eram seguras. Outro fator é a distração causada pelo celular durante o trajeto. Muitos trilheiros acabam perdendo a atenção no terreno íngreme ao checar o aparelho, o que aumenta o risco de quedas.

O CNSAS reforça que os turistas devem planejar os passeios com cuidado, verificar a previsão do tempo, usar equipamentos adequados e, sempre que possível, contratar um guia local. Além disso, eles reforçam que é muito importante não confiar cegamente nas informações fornecidas pelo ChatGPT, pois essa não é uma ferramenta precisa para esse tipo de atividade.

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