O bloqueio do Estreito de Ormuz nos lembrou de forma contundente a importância do comércio marítimo: ele movimenta aproximadamente 80% do volume do comércio mundial, segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento. Essenciais para essa cadeia logística são os portos de contêineres de 20 pés de comprimento, medidos em TEU (sigla de Twenty-foot Equivalent Unit), a unidade padrão do transporte marítimo.
Para entender: os TEUs são a moeda com a qual se mede o tráfego portuário em escala global. Quanto mais TEUs, maior a importância na logística e na economia mundial. Saber onde estão esses portos é, na prática, saber quem manda na economia global. E o mapa tem um líder claro.
Este gráfico elaborado pelo Visual Capitalist é um ranking dos 20 portos de contêineres mais ativos do mundo, ordenados pelo volume total de carga processada em um ano, com base no banco de dados da Lloyd's List de 2025, uma das referências do setor. A métrica usada para medi-lo é justamente o TEU, essa caixa metálica de 6,06 metros de comprimento × 2,44 metros de largura × 2,59 metros de altura. Cada barra do gráfico equivale a dezenas de milhões dessas caixas circulando pelos oceanos do planeta.
Em 2024, os 20 principais portos do mundo geraram um tráfego consolidado de 414,6 milhões de TEUs, um aumento de 7,1% em relação ao ano anterior. Spoiler: 14 desses 20 portos estão localizados na Ásia. Esse domínio asiático não é acidente nem coincidência: é o reflexo de décadas de industrialização acelerada, enormes investimentos em infraestrutura portuária e da consolidação da Ásia como a fábrica do planeta. E quem diz Ásia, diz China: esse Made in China que aparece até na sopa. Para você ver essa inscrição em um iPhone, em uma camisa ou em um isqueiro, antes o produto precisou atravessar meio mundo em um contêiner para chegar até aqui.
Os portos mais ativos - gráfico do Visual Capitalist a partir de dados da Lloyd's
A China é a rainha absoluta dos mares
A China concentra mais de 40% do tráfego global de contêineres. Dos seis portos mais ativos do mundo, cinco estão na China. Acima de todos está o Porto de Xangai, que processou mais de 51,5 milhões de TEUs em 2024, bem à frente dos 41,14 milhões de Porto de Singapura, o segundo colocado. A liderança de Xangai é absoluta: o porto ocupa esse posto há quase duas décadas e, sozinho, movimenta mais carga do que todos os grandes portos da Europa juntos, o que dá a dimensão de sua escala. De todo modo, os oito portos chineses presentes no Top 20 geraram 55,6% do tráfego combinado do ranking.
Menção especial merece o Porto de Hong Kong, um gigante histórico que foi a porta de entrada para a China durante décadas. Hoje, é vítima tanto de sua própria geografia quanto da transformação econômica chinesa: portos do Delta do Rio das Pérolas, como Porto de Shenzhen e Porto de Guangzhou, tomaram parte de seu tráfego. Por outro lado, a ascensão dos portos de Xangai e de Ningbo-Zhoushan acabou por expulsá-lo do Top 10. O golpe final veio com a reconfiguração das alianças navais globais, que começaram a substituir Hong Kong como hub por portos do continente com maior capacidade e menores custos operacionais.
É preciso sair do Top 10 para encontrar algum porto fora da Ásia. O primeiro é o Porto de Roterdã, bastião do comércio marítimo na Europa, que ocupa a 11ª posição com 13,8 milhões de TEUs movimentados no ano passado. Além disso, teve um crescimento modesto de 2,8% em relação ao ano anterior.
O retrato do Velho Continente devolve uma imagem de influência residual: o tráfego acumulado dos 10 principais portos europeus alcançou apenas 65 milhões de TEUs em 2024. Se qualquer tempo passado parece melhor, é porque foi mesmo — ao menos no comércio marítimo. A Europa estabeleceu seu domínio durante séculos pela força, controlando rotas, portos e territórios estratégicos em todo o planeta. O mapa das rotas coloniais europeias é, na prática, o antecedente direto de qualquer ranking portuário do século 20. Só que, hoje, esse mapa é radicalmente diferente.
Nas Américas, o porto mais ativo é o de Los Angeles e movimenta aproximadamente 9,9 milhões de TEUs. Ele é a porta de entrada para o comércio vindo do Pacífico, seguido de perto pelo Porto de Long Beach, com 9,1 milhões. A influência das Américas e da Europa no tráfego de mercadorias marítimas é o reflexo claro de suas estruturas de produção, com a deslocalização como bandeira.
Imagem | Visual Capitalist
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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