A Fifa decretou o fim de uma era no futebol mundial; os famosos álbuns de figurinha da Copa estão com os dias contados

Após quase 60 anos de parceria com a Panini, FIFA fechou acordo com a gigante norte-americana Fanatics para assumir os colecionáveis oficiais a partir de 2031

Álbum da copa aberto na página da seleção brasileira
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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

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Depois de quase 60 anos de parceria, a FIFA anunciou que os tradicionais álbuns de figurinhas produzidos pela Panini deixarão de ser os colecionáveis oficiais da Copa do Mundo a partir de 2031. A entidade fechou um novo acordo global com a Fanatics, empresa norte-americana que assumirá os direitos comerciais de itens colecionáveis ligados aos torneios organizados pela federação.

A mudança encerra uma das relações mais tradicionais da história do futebol moderno. A parceria entre FIFA e Panini começou antes da Copa do Mundo FIFA de 1970 e transformou os álbuns de figurinhas em parte da cultura das Copas do Mundo.

Parceria entre FIFA e Panini vai terminar após quase seis décadas

O primeiro álbum oficial da Copa produzido pela Panini foi lançado em 1970, durante o torneio realizado no México. Desde então, praticamente todas as gerações de torcedores cresceram colecionando figurinhas de jogadores, seleções e símbolos das Copas.

Ao longo das décadas, os álbuns deixaram de ser apenas produtos infantis e passaram a ocupar espaço também no mercado dos colecionadores esportivos. Edições antigas se tornaram raras e extremamente valiosas.

Um álbum completo da Copa de 1970, por exemplo, chegou a ser vendido por mais de 10 mil libras em um leilão realizado no Reino Unido em 2017.

O encerramento da parceria acontecerá após a Copa do Mundo FIFA de 2030, edição que marcará o centenário do torneio.

Fanatics assumirá os direitos dos colecionáveis oficiais da FIFA

A nova parceira da FIFA é uma das empresas mais poderosas do mercado esportivo mundial. A Fanatics, fundada nos Estados Unidos, se transformou nos últimos anos em um gigante bilionário especializado em produtos licenciados e colecionáveis digitais.

A companhia opera acordos comerciais com algumas das maiores ligas do planeta, incluindo NBA, NFL e Premier League. Além das ligas, a empresa também mantém contratos com clubes, atletas e federações esportivas em diferentes países.

Nos últimos anos, a Fanatics passou a investir no mercado de cards premium e itens colecionáveis de alto valor. Em 2022, a empresa comprou a tradicional fabricante de cards esportivos Topps por aproximadamente 500 milhões de dólares, ampliando ainda mais sua presença no setor que antes era dominado por marcas históricas.

A estratégia da companhia é diferente da tradicional fórmula popularizada pela Panini. Enquanto os álbuns da Copa sempre tiveram forte apelo popular e preços relativamente acessíveis, a Fanatics costuma trabalhar com linhas premium, edições limitadas e produtos voltados ao público colecionador.

Nos mercados americano e europeu, a empresa ficou conhecida por vender:

  • Cards raros autografados;
  • Caixas colecionáveis de edição limitada;
  • Produtos exclusivos ligados a atletas;
  • Memorabilia oficial de alto valor;
  • Itens digitais e colecionáveis virtuais.
“Com a Fanatics, vemos que eles estão promovendo uma enorme inovação em colecionáveis esportivos, o que oferece aos fãs uma forma nova e significativa de se conectar com seus times e com seus jogadores favoritos. Então, do ponto de vista da Fifa, podemos globalizar esse engajamento de fãs justamente graças ao nosso portfólio global de torneios. E isso fornece outra importante fonte de receita comercial que direcionamos de volta, como sempre, para o jogo, para o futebol”, disse Gianni Infantino, presidente da FIFA.  

Alguns produtos comercializados pela empresa chegam a custar centenas ou até milhares de dólares, especialmente no mercado de cards raros ligados ao basquete, beisebol e futebol americano.

Por isso, o anúncio da parceria com a FIFA também gerou dúvidas entre torcedores sobre o futuro dos tradicionais álbuns de figurinhas da Copa do Mundo. Parte dos fãs teme que os produtos oficiais se tornem mais caros e menos populares após a saída da Panini.

Ao mesmo tempo, especialistas do setor avaliam que a FIFA busca justamente explorar um mercado muito mais lucrativo do que o modelo tradicional de figurinhas físicas, apostando em colecionáveis digitais, experiências online e itens premium voltados ao público adulto.

Foto de capa: Divulgação/Panini

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