A Copa do Mundo de 2026 será jogada duas vezes: os gêmeos digitais projetados em 3D para blindar a segurança de milhões de torcedores

Pela primeira vez na história, a FIFA vai monitorar simultaneamente os estádios físicos e suas versões virtuais em tempo real para prever riscos, controlar multidões e coordenar operações de segurança durante a Copa do Mundo 2026

Imagem produzida por inteligência artificial para ilustrar os gêmeos digitais que serão utilizados na Copa do Mundo 2026
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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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A contagem regressiva para o início da Copa do Mundo de 2026 já começou, e todo mundo quer saber como ela vai funcionar. À medida que as tecnologias avançam, os organizadores do campeonato também querem surfar nessa onda e trazer recursos capazes de tornar o evento mais eficiente, conectado e, principalmente, seguro. Por isso, uma nova geração de ferramentas baseadas em inteligência artificial já começou a ser incorporada à estrutura da competição, e uma delas promete mudar completamente a forma como grandes eventos esportivos são monitorados.

A próxima Copa, que será realizada simultaneamente nos Estados Unidos, Canadá e México, terá um sistema de gêmeos digitais 3D reproduzindo virtualmente os 16 estádios do torneio em tempo real. A tecnologia permitirá acompanhar movimentações de torcedores, prever acúmulo excessivo de pessoas, identificar riscos de superlotação e coordenar operações de segurança antes mesmo que um problema aconteça no mundo físico. Isso significa que a Copa de 2026 será disputada em dois lugares ao mesmo tempo: nos gramados reais e dentro de enormes réplicas digitais alimentadas continuamente por inteligência artificial, sensores e câmeras espalhadas pelos estádios.

A Copa vai ganhar uma versão virtual que replica os estádios em tempo real

Estádio de Futebol MetLife, onde acontecerá a final da Copa do Mundo FIFA de 2026 Com milhões de torcedores esperados na Copa de 2026, os gêmeos digitais dos estádios serão usados para monitorar fluxos de pessoas em tempo real e ajudar equipes de segurança a antecipar riscos de superlotação e falhas de circulação.

Os “gêmeos digitais”, réplicas virtuais extremamente detalhadas de estruturas reais, atualizadas continuamente com dados em tempo real, já vêm sendo utilizados em outros lugares fora do campo de futebol, como engenharia, indústria e planejamento urbano. No entanto, a tecnologia passará a ser utilizada pela primeira vez em um evento esportivo global com milhões de pessoas circulando simultaneamente.

O sistema será operado pela plataforma NEXUS, desenvolvida pela Skyline Software Systems em parceria com a EagleView. A ideia é criar ambientes digitais tridimensionais extremamente precisos de cada estádio da Copa do Mundo de 2026. Mas não se trata apenas de mapas 3D bonitos na telas, essas réplicas virtuais recebem dados em tempo real vindos de:

  • Câmeras de monitoramento;
  • Sensores espalhados pelas arenas;
  • Sistemas de rastreamento de movimentação;
  • Plataformas de segurança pública;
  • Controle de acesso e fluxo de pessoas.

Com isso, os organizadores vão conseguir visualizar em tempo real o comportamento do público, quase como se observassem um simulador ao vivo da partida. O sistema também foi pensado para funcionar em diferentes escalas. Ele pode monitorar desde áreas específicas dentro de um estádio até regiões inteiras ao redor das arenas, permitindo que equipes de segurança, trânsito e emergência atuem de forma coordenada. E existe um detalhe importante: boa parte das decisões poderá ser tomada antes mesmo de qualquer situação crítica acontecer.

A inteligência artificial vai prever riscos antes que eles aconteçam

A inteligência artificial, apesar dos vários benefícios que traz para várias áreas, como medicina e mobilidade urbana, continuamente é criticada devido ao seu alto consumo energético, impacto ambiental dos data centers e até riscos ligados à automação. Mas quando se pensa no contexto da Copa do Mundo, ela pode ser um aliado estratégico da segurança do evento

Conectados a sistemas de IA, os gêmeos digitais serão capazes de monitorar padrões de movimentação em tempo real durante os jogos. Se uma área começar a registrar fluxo excessivo de pessoas, dificuldade de circulação ou risco de superlotação, por exemplo, a tecnologia poderá identificar o problema em segundos e alertar imediatamente as equipes de operação e segurança. Entre os principais benefícios do modelo, destaca-se: 

  • Prever pontos de congestionamento;
  • Identificar pontos de superlotação;
  • Reorganizar fluxos de entrada e saída;
  • Coordenar evacuações com mais rapidez;
  • Otimizar deslocamento de equipes de segurança.

Tudo isso será acompanhado a partir de um centro de comando centralizado em Miami, responsável por monitorar simultaneamente os 16 estádios espalhados pelos três países. A FIFA também pretende integrar outros sistemas baseados em IA durante o torneio, incluindo ferramentas de navegação inteligente para orientar torcedores dentro das arenas e sistemas avançados de arbitragem que usam o rastreamento corporal dos jogadores dezenas de vezes por segundo.

Modelo Robô Atlas Robô Atlas da Boston Dynamics que serão utilizados em operações de segurança e monitoramento da Copa do Mundo 2026.

Além disso, robôs de patrulhamento da Boston Dynamics, como o humanoide Atlas e o quadrúpede Spot, também devem ser utilizados em operações de segurança e monitoramento do evento. Toda essa infraestrutura tecnológica adotada pela organização mostra que a Copa do Mundo de 2026 deve marcar uma mudança importante na forma como grandes eventos esportivos são planejados e administrados. Com isso, grandes eventos esportivos começam a deixar de depender apenas de operações humanas gigantescas para apostar também em sistemas inteligentes para prever situações de risco, organizar fluxos de pessoas e responder mais rapidamente a qualquer imprevisto.

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