A asma é uma condição respiratória que pode ser agravada por diferentes fatores, como ácaros, mofo e poluição do ar. Mas você sabia que até o fogão da sua cozinha pode contribuir para esse problema? Um estudo publicado em 2023 no International Journal of Environmental Research and Public Health estimou que 12,7% dos casos de asma infantil nos Estados Unidos poderiam ser atribuídos ao uso de fogões a gás. O risco está relacionado aos poluentes liberados durante o preparo das refeições, que podem se espalhar por outros cômodos, principalmente em casas com cozinha integrada à sala.
Fogões a gás liberam poluentes que podem agravar problemas respiratórios
O principal vilão nessa história é o dióxido de nitrogênio (NO₂), um gás produzido durante a queima do combustível que pode irritar as vias respiratórias, prejudicar a função pulmonar e agravar sintomas de asma. A concentração do poluente pode aumentar rapidamente enquanto o fogão está ligado, expondo moradores que nem sequer estão na cozinha.
Além disso, os aparelhos podem liberar monóxido de carbono e formaldeído. O primeiro representa um risco grave em concentrações elevadas, pois pode provocar intoxicação e até levar à morte. Já o metano, principal componente do gás natural, pode escapar de conexões e tubulações mesmo quando o fogão está desligado, contribuindo tanto para a poluição doméstica quanto para o efeito estufa.
A preocupação com esses equipamentos não é recente. Pesquisas sobre a qualidade do ar em ambientes internos identificam riscos associados às emissões de fogões a gás desde a década de 1970. Crianças e pessoas com doenças respiratórias merecem atenção especial, já que a exposição ao NO₂ está associada ao agravamento de sintomas como tosse, chiado no peito e falta de ar.
Trocar o fogão e melhorar a ventilação ajuda a reduzir os riscos
Durante o preparo das refeições, poluentes podem ser liberados no ambiente, principalmente em casas com cozinha integrada
Uma das formas mais eficazes de diminuir a exposição é substituir o fogão a gás por um modelo elétrico ou de indução. Em um estudo com 100 residências em Baltimore, nos Estados Unidos, a troca reduziu a concentração de dióxido de nitrogênio em 51% na cozinha e 42% no quarto durante uma semana. Já um projeto-piloto realizado em 20 apartamentos no Bronx, em Nova York, registrou uma redução de 35% na concentração diária de NO₂ após a instalação de fogões de indução. A concentração de monóxido de carbono também caiu 43%. Nem sempre, porém, é possível trocar o equipamento. Nesses casos, algumas medidas podem ajudar:
- Instale uma coifa ou um exaustor com saída para o exterior: modelos que apenas recirculam o ar não eliminam os poluentes da mesma maneira;
- Use a ventilação durante o preparo das refeições: ligar o exaustor enquanto cozinha ajuda a retirar parte das emissões;
- Considere um purificador de ar adequado: modelos com filtros de partículas e carvão ativado podem reduzir parte dos poluentes, mas não substituem a ventilação nem eliminam a fonte das emissões.
Vale lembrar que o próprio preparo dos alimentos também libera partículas ultrafinas, inclusive em fogões elétricos. Por isso, manter a cozinha ventilada é importante independentemente do tipo de equipamento. Em ambientes integrados, esse cuidado ajuda a evitar que parte dos poluentes se espalhe pela sala e por outros espaços da casa.
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