Buracos na Lua estão despertando o interesse de cientistas da NASA, e não é apenas pela curiosidade de descobrir o que existe lá embaixo. Uma dessas formações, localizada nas Colinas Marius, na face visível da Lua, pode ser a entrada de um antigo túnel de lava. A agência espacial selecionou a proposta de missão GIMLI, desenvolvida pelo Instituto de Ciência Planetária, para investigar a estrutura e mapear o que existe por baixo da superfície. Se os pesquisadores confirmarem a presença de um espaço subterrâneo extenso, a descoberta poderá ajudar a planejar abrigos para futuras missões tripuladas.
Buraco na Lua pode esconder túnel de lava formado há bilhões de anos
A superfície lunar guarda marcas de uma época em que o satélite tinha intensa atividade vulcânica. Naquele período, a lava formou canais na superfície e túneis subterrâneos, estruturas que podem permanecer preservadas até hoje, mesmo depois de a atividade vulcânica ter cessado. É nesse contexto que entra a formação das Colinas Marius. Como a cratera está situada em uma região marcada por um antigo canal de lava, os cientistas consideram a possibilidade de que ela tenha surgido após o desabamento do teto de um desses túneis, talvez provocado pelo impacto de um meteorito.
Mas essa hipótese ainda precisa ser investigada. Embora formações desse tipo possam revelar a existência de cavidades subterrâneas, observar um buraco na superfície não é suficiente para determinar a extensão ou as condições do espaço que existe abaixo dele. É isso que a NASA pretende descobrir com a missão GIMLI: se a Lua esconde túneis grandes o bastante para funcionar como abrigos naturais e ajudar a tornar a presença humana no satélite mais viável no futuro.
Túneis subterrâneos podem proteger astronautas das condições extremas da Lua
Construir uma base na Lua envolve desafios muito maiores do que se imagina, começando pela dificuldade de transportar equipamentos e encontrar água. A superfície lunar está exposta a variações extremas de temperatura, radiação ionizante e impactos de micrometeoroides, pequenas partículas espaciais que podem atingir estruturas e equipamentos. Um túnel natural poderia oferecer uma proteção inicial contra parte desses riscos, reduzindo a necessidade de construir um abrigo inteiramente do zero. Caso seja amplo e estável o suficiente, esse tipo de formação poderia servir como ponto de partida para instalações destinadas a astronautas.
Para investigar a cratera das Colinas Marius, a missão GIMLI deverá combinar diferentes instrumentos para estudar tanto a superfície quanto o subsolo lunar. Entre eles estão:
- Radar de penetração no solo: permite investigar estruturas abaixo da superfície;
- Sensores sísmicos: ajudam a analisar as propriedades do terreno e possíveis cavidades subterrâneas;
- Gravímetro: mede pequenas variações no campo gravitacional, que podem fornecer pistas sobre a distribuição de massa no subsolo;
- Câmeras de alta resolução: registram detalhes da cratera e de suas paredes.
A combinação dessas tecnologias deverá ajudar os pesquisadores a construir um mapa mais detalhado da região e avaliar se existe um túnel subterrâneo. Mesmo que a missão não encontre uma grande cavidade, os dados ainda poderão esclarecer como a atividade vulcânica moldou a Lua. Para os planos de exploração espacial, entretanto, a possibilidade mais empolgante é descobrir se o satélite já oferece parte da infraestrutura natural necessária para receber seus futuros visitantes.
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