Há uma boa razão pela qual Elon Musk quer juntar Tesla e SpaceX em uma empresa de US$ 3,5 trilhões: mais controle

  • A fusão entre as duas superempresas vem causando alvoroço em Wall Street há algum tempo. 

  • Para muitos analistas, a questão não é mais se isso vai acontecer, mas quando.

Elon Musk no centro, à frente de um telão com as logos da Tesla e SpaceX
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
natalia-martins

Natália P. Martins

Redatora
natalia-martins

Natália P. Martins

Redatora

A fusão entre as duas superempresas já ecoa há algum tempo em Wall Street: para analistas do mercado, a questão já não é se o negócio vai sair, mas quando.

Na terça-feira, durante a conferência de resultados da SpaceX, Elon Musk confirmou que ambas as empresas formaram comitês especiais para avaliar uma fusão. A ideia de unir a SpaceX e a Tesla vem circulando há algum tempo e, após a união entre a companhia aeroespacial de Musk e a xAI, trata-se de um passo que interessa bastante ao bilionário. 

A companhia combinada teria um valor de mercado estimado em US$ 3,5 trilhões segundo as cotações atuais, de acordo com o relato do The New York Times, tornando-se a maior operação corporativa da história em termos financeiros. No momento nada foi oficializado, mas o plano está sem dúvida sobre a mesa.

Musk busca reunir carros elétricos, foguetes e inteligência artificial

O empresário deseja reunir sob o mesmo teto seus carros elétricos, foguetes, satélites e inteligência artificial. A SpaceX está avaliada em cerca de US$ 2 trilhões e a Tesla em US$ 1,5 trilhão, de acordo com os dados de mercado mais recentes. A manobra também solucionaria uma questão de poder que Musk enfrenta há anos: na SpaceX ele detém cerca de 80% do poder de voto em decisões cruciais, enquanto na Tesla possui apenas aproximadamente 20%, como destaca o NYT.

Tesla e SpaceX já compartilham tecnologias e infraestrutura

O argumento central de Musk é que as duas companhias precisam cada vez mais uma da outra. Na visão dele, a Tesla constrói a "IA física" — como robôs humanoides e táxis autônomos —, enquanto a SpaceX fornece o ecossistema de suporte, com conectividade via satélite e infraestrutura de data centers.

A Terafab, uma fábrica de chips no Texas com potencial para custar até US$ 119 bilhões, segundo o Financial Times, já está sendo construída pela empresa espacial. Além disso, a fabricante automotiva fornece baterias industriais Megapack para a SpaceX. No ano passado, foram vendidos cerca de US$ 430 milhões em baterias para os data centers da firma aeroespacial, conforme informa o The Wall Street Journal.

Shutterstock 2718042427

O executivo defende que a lógica dessa sinergia é cristalina. "Há muito mérito em combinar as empresas", afirmou o bilionário durante a teleconferência com acionistas, segundo reportou o NYT.

SpaceX amplia receita com inteligência artificial e data centers

O balanço recente da SpaceX comprova o quanto ela avançou para além dos foguetes. Nos seus resultados financeiros do último trimestre, a companhia registrou um salto de 161% no faturamento, alcançando US$ 14,6 bilhões, com lucro líquido de US$ 4,4 bilhões.

O grande motor desse avanço acelerado foi justamente a IA: sua divisão de "Super Intelligence" faturou cerca de US$ 7,6 bilhões — mais da metade da receita total do período —, alavancada pela locação de capacidade de processamento para rivais como Anthropic e Google. Já o trimestre da Tesla foi mais modesto. O NYT aponta que o lucro da montadora recuou para US$ 787 milhões, em comparação a US$ 1,4 bilhão no mesmo período do ano anterior, impactado pelo aumento dos investimentos em veículos autônomos e robótica.

Analistas divergem sobre quanto os acionistas da Tesla devem receber

A dúvida predominante em Wall Street já não é se o negócio vai acontecer, mas quando, como destaca a Reuters. No entanto, não há consenso sobre qual prêmio os acionistas da montadora deveriam receber. Bancos como RBC e JPMorgan projetam que os investidores exijam um prêmio entre 20% e 35%. Outros analistas preveem pouco ou nenhum ágio, já que as bases de acionistas de ambas as empresas se sobrepõem amplamente.

Ross Gerber, cuja gestora possui ações das duas corporações, argumenta que o pagamento de um prêmio diluiria o valor dos acionistas da SpaceX em um momento de gastos crescentes. E o volume de investimentos da empresa aeroespacial é altíssimo: os aportes de capital atingiram US$ 19,6 bilhões no trimestre anterior, e Musk projeta desembolsar entre US$ 35 bilhões e US$ 40 bilhões no próximo ciclo.

Shutterstock 2526857093

Fusão depende de aprovação dos acionistas da Tesla

Musk destacou que qualquer transação desse porte exigirá a aprovação da maioria absoluta de todas as ações em circulação da Tesla, e não apenas dos votos emitidos pelos presentes na assembleia, de acordo com o NYT. Isso significa que a abstenção de qualquer acionista funciona na prática como um voto contrário. A Reuters ressalta que analistas enxergam a taxa de participação como o maior risco e acompanharão de perto a assembleia anual da Tesla, marcada para 3 de dezembro.

O controle acionário do próprio fundador torna o cenário ainda mais complexo. Estimativas de mercado apontam que uma fusão elevaria seu poder de voto na nova gigante combinada para a faixa de 57% a 58%. Há também a preocupação quanto a eventuais conflitos de interesse, já que ambos os conselhos administrativos contam com amigos e parceiros históricos do empresário. 

A Reuters lembra o precedente de 2016, quando a Tesla comprou a SolarCity, companhia fundada por primos de Musk. Na época, a Justiça de Delaware aprovou a operação, mas destacou que um comitê independente deveria ter sido instaurado.

Fusão também pode levantar questões de segurança nacional

Como bem pontua o The Independent, a SpaceX opera contratos estratégicos para a NASA, para as Forças Armadas dos EUA e para agências de inteligência, enquanto a montadora de carros elétricos possui uma fábrica de peso em Xangai. A união direta de operações sob forte influência simultânea de Washington e Pequim deve levantar debates sensíveis de segurança nacional e diplomacia.

Negociação depende da definição dos termos e da aprovação societária

Ambos os comitês especiais, amparados por consultores jurídicos e bancos de investimento, terão a missão de negociar os termos finais e submetê-los à aprovação dos respectivos conselhos de administração, conforme explica o WSJ. Resta aguardar as próximas movimentações e acompanhar o que a diretoria da Tesla apresentará na assembleia de 3 de dezembro.

Imagem de capa | Tesla

Imagens: Shutterstock

Texto traduzido e adaptado do portal parceiro Xataka Espanha.

Inicio