Em Barueri, na Grande São Paulo, toneladas de plástico descartado estão ganhando uma nova função: virar moradia para pessoas com 60 anos ou mais. A Vila dos Idosos, em construção no Jardim Paulista, terá 16 casas feitas com blocos de polipropileno reciclado, um sistema modular em que as peças se encaixam sem precisar de argamassa entre elas. Cada residência deverá reaproveitar cerca de duas toneladas de plástico, o que representa aproximadamente 32 toneladas ao todo. Além da proposta sustentável, o projeto foi pensado para facilitar a rotina dos moradores e oferecer espaços acessíveis.
Blocos de plástico reciclado formam paredes na Vila dos Idosos
A construção da Vila dos Idosos aposta em uma alternativa diferente da construção tradicional. No lugar dos tijolos e da argamassa, os trabalhadores utilizam blocos padronizados de polipropileno (PP), um tipo de plástico que é fabricado a partir de resíduos pós-consumo que passam por processos de recuperação e transformação industrial.
As peças são intertravadas, ou seja, possuem encaixes que permitem conectá-las umas às outras. Segundo a Prefeitura de Barueri, responsável pelo projeto por meio das secretarias municipais de Obras e Habitação, esse método industrializado permite executar boa parte da construção a seco, reduzindo etapas da obra e o desperdício de materiais. A montagem também tende a sofrer menos interferência das condições climáticas e pode tornar mais previsíveis o cronograma, os custos e a necessidade de mão de obra.
A quantidade de plástico reaproveitado é outro destaque. Cada uma das 16 casas deverá incorporar aproximadamente duas toneladas do material. Se a estimativa for mantida em todas as unidades, o empreendimento utilizará cerca de 32 toneladas de plástico reciclado, uma projeção baseada na quantidade prevista por residência.
A matéria-prima chega ao fabricante por meio de diferentes participantes da cadeia de reciclagem, incluindo cooperativas e organizações sociais. Uma delas é a ONG Tampinhas que Curam, que recolhe tampinhas plásticas e direciona os recursos obtidos para ajudar no tratamento de crianças com câncer. A iniciativa segue uma lógica da economia circular, já que ao invés de serem descartados depois do uso, os materiais passam por um novo processo produtivo e ganham outra finalidade. Nesse caso, o destino são as paredes de casas voltadas à habitação social.
Os blocos também possuem espaços internos que, segundo a Prefeitura, favorecem a circulação de ar e ajudam a reduzir a transferência de calor para os ambientes. O conforto térmico, no entanto, depende de outros fatores, como ventilação, orientação solar, portas, janelas e cobertura. Por isso, o projeto também considera a iluminação natural e a distribuição dos ambientes.
Vila terá casas térreas adaptadas para idosos e poderá inspirar outras obras públicas
O reaproveitamento de plástico é apenas uma parte da proposta. A Vila dos Idosos foi planejada para atender moradores com 60 anos ou mais, com residências que priorizam acessibilidade, autonomia e segurança. Cada casa terá aproximadamente 48 m², com dois dormitórios, banheiro, área de serviço e sala integrada à cozinha. Todas serão térreas e não terão escadas, enquanto três das 16 unidades contarão com adaptações específicas para pessoas com deficiência.
O conjunto ocupará um terreno de cerca de 2.700 m² no Jardim Paulista, na região de Votupoca. A área comum também poderá receber uma pequena praça de convivência, com bancos, iluminação e circulação acessível, conforme a viabilidade técnica do projeto. A escolha dos futuros moradores seguirá critérios definidos pela administração municipal. Segundo a Prefeitura, as unidades serão destinadas por sorteio a pessoas cadastradas no programa de aluguel social da Secretaria Municipal de Habitação. Assim, o empreendimento não funciona apenas como uma experiência de construção sustentável, mas também como uma iniciativa voltada a pessoas que precisam de moradia e de espaços adaptados às necessidades da idade.
Em setembro de 2026, a obra ainda era oficialmente considerada em andamento. Informações divulgadas indicavam previsão de entrega para novembro do mesmo ano. A Prefeitura também considera a possibilidade de levar o sistema modular a outros equipamentos públicos. Como os blocos são industrializados e podem ser montados sem argamassa convencional entre as peças, a tecnologia poderá ser avaliada em projetos como unidades básicas de saúde, creches, escolas e prédios administrativos.
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