Os especialistas são claros: "O cérebro está atento ao aprendizado de idiomas dos seis meses aos cinco anos de idade"

Sempre se disse que as crianças são como esponjas, e com idiomas não seria diferente

Os especialistas são claros: "O cérebro está atento ao aprendizado de idiomas dos seis meses aos cinco anos de idade."
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Fabrício Mainenti

Redator

É cada vez mais comum que as crianças comecem a aprender novos idiomas em idades bem precoces — quase como uma medida de urgência —, partindo da ideia de que as crianças são como esponjas e que, ultrapassada uma certa idade, dominar uma nova língua torna-se uma tarefa quase titânica.

O que se diz

Sobre esse tema, o neurocientista David Bueno levantou um debate bastante interessante ao apontar que "o cérebro está apto a aprender idiomas dos seis meses aos cinco anos de idade".

Esse é um período em que o cérebro está especialmente predisposto a absorver os sons e as estruturas do ambiente ao seu redor; portanto, em tese, é a fase em que a aprendizagem de uma segunda língua ocorre com maior facilidade. No entanto, essa "janela" não é tão restrita assim.

A plasticidade cerebral nas crianças é uma realidade, conforme indicam diversos estudos neurocientíficos. Por exemplo, um estudo publicado na revista Neuron apontou a existência de um equilíbrio entre a excitação e a inibição neuronal, o qual abre diferentes janelas de aprendizagem que, posteriormente, são "fechadas" por meio de mecanismos moleculares que atuam como freios.

Isso ocorre, sobretudo, durante o primeiro ano de vida: por volta dos seis meses, os bebês são capazes de distinguir qualquer contraste sonoro, independentemente do idioma. Contudo, entre os seis e os doze meses, acontece o que os especialistas chamam de "estreitamento perceptivo".

Esse período é crucial, pois a experiência linguística altera fisicamente a percepção: os bebês aprimoram drasticamente sua capacidade de distinguir os sons da própria língua materna, mas, simultaneamente, perdem a sensibilidade para identificar sons de outros idiomas. O mais interessante, porém, é observar como o cérebro demanda interação humana para manter essas conexões ativas.

Por exemplo, um estudo randomizado expôs bebês norte-americanos de nove meses a sessões de mandarim com falantes nativos presentes no local, conseguindo reverter a perda da capacidade de distinguir os sons desse idioma. 

Por outro lado, quando o mesmo experimento foi realizado por meio de vídeos ou gravações de áudio, não houve efeito algum. Isso demonstra que o cérebro infantil necessita do componente social e da presença física de outras pessoas para assimilar a linguagem.

Na Espanha, há como estudo de referência um trabalho realizado pela Universidade de Barcelona, ​​no qual bebês foram expostos tanto ao catalão quanto ao espanhol.

Constatou-se que, com apenas quatro meses, os bebês já distinguem ambos os idiomas, apesar de sua semelhança rítmica; eles passam por um complexo desenvolvimento perceptivo durante o primeiro ano de vida, adaptando-se às exigências de processar dois sistemas fonéticos paralelos.

O problema é que, se avaliarmos o vocabulário de uma criança bilíngue em apenas um dos idiomas, é provável que ela apresente um leve atraso em relação a uma criança monolíngue da mesma faixa etária.

Não se fecham portas com o passar dos anos, visto que a capacidade de aprender a gramática de um novo idioma permanece quase intacta até os 17 anos e meio. É a partir do final da adolescência que se observa um declínio gradual dessa habilidade; portanto, embora seja logicamente melhor aprender idiomas quanto mais cedo, isso não significa que as portas se fechem a longo prazo.

Imagem de capa | Vika Glitter

Texto traduzido e adaptado do portal parceiro Xataka Espanha 

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