Muito antes da ascensão de empresários como Elon Musk ou Jeff Bezos, um americano já havia acumulado uma fortuna considerada inédita para sua época. Fundador da Standard Oil, John D. Rockefeller transformou a indústria do petróleo no fim do século XIX e entrou para a história como o primeiro bilionário do mundo.
No auge de seus negócios, sua empresa controlava aproximadamente 90% do refino de petróleo nos Estados Unidos. A riqueza acumulada era tão grande que, em valores da época, correspondia a cerca de 2% de toda a economia americana.
Quase 90 anos após sua morte, o sobrenome Rockefeller continua entre os mais influentes do país. Segundo estimativas da Forbes, a família reúne atualmente cerca de 200 integrantes e mantém um patrimônio estimado em US$ 10,3 bilhões,.
Como John D. Rockefeller construiu sua fortuna
Nascido em 1839, no estado de Nova York, John D. Rockefeller iniciou a carreira no setor de contabilidade antes de investir no mercado de petróleo, que começava a ganhar importância com o crescimento da industrialização americana.
Em 1870, fundou a Standard Oil Company, empresa que passou a dominar o refino, o transporte e a distribuição de petróleo nos Estados Unidos. A companhia expandiu as operações por meio da aquisição de concorrentes, investimentos em infraestrutura e redução de custos de produção.
A Standard Oil se consolidou como a maior empresa do setor. No início do século XX, estimativas apontam que o grupo controlava cerca de 90% do mercado americano.
Em 1911, a Suprema Corte dos Estados Unidos determinou o desmembramento da empresa por violação das leis antitruste. A Standard Oil foi dividida em 34 companhias independentes, das quais surgiram, anos depois, gigantes como ExxonMobil, Chevron e outras empresas que permanecem entre as maiores petrolíferas do mundo.
Onde está a fortuna Rockefeller hoje?
A riqueza construída por John D. Rockefeller permaneceu na família. Segundo a Forbes, o patrimônio conjunto dos Rockefeller é estimado atualmente em US$ 10,3 bilhões. A fortuna está distribuída entre aproximadamente 200 descendentes, que possuem investimentos em diferentes setores da economia.
O nome mais conhecido das últimas décadas foi David Rockefeller, neto do fundador da Standard Oil. Quando morreu, em 2017, aos 101 anos, possuía uma fortuna estimada em US$ 3,3 bilhões.
Parte dos ativos familiares continua sendo administrada pela Rockefeller Capital Management, empresa especializada na gestão de patrimônio que ainda conta com representantes da família em seu conselho.
Família conseguiu preservar a riqueza por gerações
Estudos sobre sucessão patrimonial mostram que poucas grandes fortunas sobrevivem por muito tempo. Um levantamento da consultoria Williams Group aponta que apenas 10% do patrimônio familiar chega preservado à terceira geração.
Especialistas atribuem essa longevidade a um conjunto de estratégias adotadas ainda no início do século XX. A principal delas foi a criação de um family office, estrutura responsável por administrar de forma profissional todo o patrimônio da família, incluindo investimentos, imóveis, participações em empresas e planejamento financeiro. Em vez de cada herdeiro gerir individualmente sua parcela da fortuna, os ativos passaram a ser administrados de maneira centralizada por especialistas.
Outro pilar da estratégia foi a adoção de fundos fiduciários irrevogáveis (irrevocable trusts). Nessa modalidade, os bens são transferidos para um fundo com regras previamente definidas, que não podem ser alteradas facilmente pelos herdeiros. O modelo ajuda a organizar a sucessão patrimonial, além de reduzir as disputas familiares.
A família também manteve uma política de educação financeira e de participação dos descendentes na gestão do patrimônio, em vez de apenas distribuir recursos entre os herdeiros. Essas estruturas permitem que o patrimônio permaneça organizado entre as gerações, reduzindo atritos e facilitando o planejamento sucessório.
Filantropia se tornou parte do legado da família
Além dos negócios, os Rockefeller também ficaram conhecidos pelas doações destinadas à educação, à ciência e à saúde pública.
John D. Rockefeller participou da criação da Universidade de Chicago, da Universidade Rockefeller e da Fundação Rockefeller, instituição que continua financiando projetos em diferentes países.
Ao longo do século XX, a fundação investiu em pesquisas médicas, campanhas de saúde pública e iniciativas voltadas ao combate de doenças como febre amarela e ancilostomíase.
Nas gerações seguintes, David Rockefeller esteve entre os primeiros bilionários a aderir ao Giving Pledge, compromisso firmado por grandes empresários para destinar a maior parte de suas fortunas à filantropia.
Hoje, diferentes fundações ligadas à família administram bilhões de dólares destinados a projetos nas áreas de saúde, educação, inovação, desenvolvimento econômico e sustentabilidade.
Foto de capa: Reprodução/El Español
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